Indígenas de Roraima cobram justiça por morte de jovem líder Gabriel Ferreira Rodrigues
Indígenas cobram justiça por morte de jovem líder em Roraima

Indígenas de Roraima exigem respostas sobre morte de jovem líder

Cerca de 500 indígenas se reuniram na rodovia RR-203, no município de Amajari, norte de Roraima, nesta quarta-feira (18), em um ato que ecoou o grito por justiça pela morte do jovem líder Gabriel Ferreira Rodrigues, de 28 anos. O protesto, organizado pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR), carregava o lema "Quem matou Gabriel?" e reuniu representantes de diversas regiões do estado, incluindo Surumu, Alto Cauamé, Baixo Cotingo, Raposa, Serras, Amajari, Serra da Lua, Tabaio e Murupu.

Um crime que não foi natural

O vice-tuxaua geral do CIR, Paulo Justino, foi enfático ao descrever a morte: "Não foi uma morte natural, não foi por acidente, não foi destino, foi violência". Ele, que é do povo Macuxi e amigo de Gabriel, participou da mobilização e afirmou que o jovem era uma liderança da juventude que não tinha medo de se posicionar. Para Justino, a coragem de Gabriel em denunciar invasões, garimpeiros e fazendeiros teve um preço alto. "Foi essa coragem que causou a violência que ele sofreu", declarou, acrescentando que o ato é um grito coletivo contra a repetição de casos semelhantes.

Gabriel, do povo Wapichana, era uma liderança na Terra Indígena Araçá, em Amajari. Ele foi encontrado morto no dia 10 de fevereiro, após dez dias desaparecido. O corpo estava em avançado estado de decomposição e foi identificado por meio da arcada dentária. A Polícia Civil informou que a morte é tratada como homicídio e que o caso tem prioridade "01" nas investigações.

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Mobilização como fortalecimento coletivo

Entre os manifestantes estava Julha Wapichana, de 16 anos, liderança da juventude indígena na região do Amajari. Ela destacou que a mobilização mostra que Gabriel representava muito mais do que uma comunidade. "O Gabriel era uma liderança da juventude de Roraima, do Brasil e até em nível internacional", afirmou. Julha ressaltou que ver todo mundo reunido fortalece o espírito coletivo e mostra que Gabriel nunca esteve sozinho.

Alencar Gomes Mendes, coordenador da região da Raposa e uma das lideranças do movimento, descreveu o clima entre os povos indígenas como de indignação e tristeza. "É um sentimento de revolta e também de tristeza, porque a gente não sabe realmente o que aconteceu com o Gabriel", disse. Ele explicou que as lideranças acreditam que Gabriel foi assassinado por causa da luta que travava em defesa dos povos indígenas e do território.

Os detalhes do desaparecimento e a busca por respostas

A família relatou que Gabriel saiu de casa, na comunidade Novo Paraíso, no dia 31 de janeiro, para participar de um evento na comunidade Juracy. Ele foi visto pela última vez entre 6h e 7h da manhã do dia 1º de fevereiro, no barracão da festa. Moradores disseram à família que Gabriel foi visto seguindo em direção a uma fazenda próxima. Sua moto e celular foram encontrados a cerca de 300 metros de onde o corpo foi achado.

O CIR tem cobrado investigação rigorosa desde o início do caso. Em nota, a organização descreveu Gabriel como "jovem guerreiro" e "uma perda irreparável", destacando seu compromisso com a luta coletiva. Gabriel era coordenador regional da juventude de Amajari, comunicador da Rede Wakywaa de comunicadores indígenas e, atualmente, secretário regional, articulando ações junto às lideranças e comunidades.

Paulo Justino cobrou ações do poder público para proteger lideranças indígenas no estado. "Nossas terras estão sendo invadidas por garimpo e organizações criminosas, e o poder público não faz o que é preciso para proteger as lideranças", afirmou. Ele alertou que o que aconteceu com Gabriel poderia acontecer com qualquer um, e que isso precisa acender um alerta.

O corpo de Gabriel foi sepultado no último sábado (14), em Boa Vista, com o CIR acompanhando o caso e cobrando investigação rigorosa. A mobilização segue como um símbolo da resistência indígena e da demanda por justiça que ecoa além das fronteiras de Roraima.

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