Cliente de supermercado é identificado após atacar mulher muçulmana com discurso de ódio em Barueri
Um cliente de supermercado foi identificado pela Polícia Civil após ser flagrado em vídeo proferindo ofensas religiosas contra uma mulher muçulmana de 38 anos dentro de um estabelecimento comercial em Barueri, na Grande São Paulo. O episódio, que ocorreu no dia 23 de janeiro, ganhou repercussão após a divulgação das imagens e resultou na instauração de um inquérito policial nesta quinta-feira (29).
Detalhes do ataque e identificação do autor
O vídeo, gravado pela irmã da vítima e enviado ao g1, mostra o momento em que a mulher aguardava atendimento na padaria do mercado quando foi abordada pelo cliente. O homem dirigiu-se a ela dizendo: "Muçulmano degola judeu e cristão em todo o mundo". Ao perceber que estava sendo filmado, continuou com as ofensas: "Pode gravar, aqui é um cristão. Pode cortar meu pescoço, muçulmano. Não tenho medo de muçulmano".
A identificação do autor, Marcel Ferri Estudino, foi possível após funcionários do supermercado anotarem a placa da motocicleta utilizada por ele para deixar o local. Com base nessa informação, a polícia confirmou que Marcel era o responsável pelas ofensas registradas. Ele deve ser intimado nos próximos dias para prestar depoimento.
Medidas legais e posicionamento das autoridades
O advogado da vítima, Luis Junqueira, explicou que fez a representação criminal e solicitou a abertura do inquérito por crime racial e religioso. "Também fiz um pedido de medida protetiva para a segurança da minha cliente", afirmou o advogado, destacando a gravidade do caso.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que "a vítima foi ouvida, o autor identificado e demais diligências seguem em andamento para o completo esclarecimento dos fatos". A polícia reforça que ofender alguém em razão de sua religião configura crime no Brasil, sujeito a investigação e punição.
Relato da vítima e impacto psicológico
A vítima, brasileira que se tornou muçulmana após se casar com um libanês, relatou ao g1 que o episódio lhe causou "muito medo". Ela enfatizou: "Usar sua fé, suas roupas ou símbolos religiosos é um direito constitucional. Nada justifica agressões verbais, ameaças ou discurso de ódio".
No boletim de ocorrência, a mulher informou à polícia que chegou a alertar o agressor sobre estar cometendo um crime de intolerância religiosa e que acionaria uma viatura policial. "Após isso, ele fugiu do local em uma motocicleta", registrou. Ela também agradeceu o suporte da equipe de segurança do estabelecimento, que a orientou a registrar o boletim para as devidas providências.
Contexto e importância do caso
Este caso se insere em um cenário preocupante de intolerância religiosa no Brasil, onde ataques motivados por ódio religioso têm sido registrados com frequência. A vítima destacou que o ocorrido envolve não apenas injúria qualificada, mas também intolerância religiosa, crimes que violam direitos fundamentais garantidos pela Constituição.
A investigação segue em andamento, com a polícia coletando provas e ouvindo testemunhas para garantir que a justiça seja feita. O episódio serve como alerta para a necessidade de combater discursos de ódio e promover o respeito à diversidade religiosa em todos os espaços sociais.