Mutirão da Polícia Federal busca resolver situação de haitianos retidos em Viracopos
Após mais de 40 horas da chegada de um voo fretado com haitianos a Campinas, no interior de São Paulo, a Polícia Federal (PF) iniciou um mutirão neste sábado (14) para processar a admissão no Brasil de 97 dos 118 migrantes do país caribenho que permaneciam retidos no Aeroporto Internacional de Viracopos. O grupo havia chegado na quinta-feira (12) e enfrentou uma espera de 10 horas dentro da aeronave antes de ser transferido para uma sala reservada no terminal.
Problemas na documentação e apoio do aeroporto
Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores, 113 dos 118 passageiros apresentaram vistos de reunião familiar considerados falsos, o que motivou a restrição de entrada e a análise individual de cada caso migratório. A Aeroportos Brasil Viracopos (ABV), concessionária que administra o terminal, prestou apoio à operação coordenada pela PF em conjunto com a Defensoria Pública, disponibilizando acesso à internet, energia e outros recursos necessários.
A expectativa das autoridades é de que os imigrantes realizem o cadastro e possam deixar a sala onde aguardam ainda neste sábado. O caso está sendo acompanhado pela Justiça Federal, que requisitou a audiência de um delegado da PF para esclarecer os procedimentos adotados durante a retenção.
Investigação sobre imigração irregular e contexto do Haiti
A situação levou à abertura de uma investigação sobre possível esquema de imigração irregular e falsificação de documentos. O Haiti, país de origem dos migrantes, enfrenta uma grave crise humanitária, conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), marcada por violência de gangues, instabilidade política e escassez de alimentos e medicamentos. O país não realiza eleições desde 2016, agravando a insegurança e a instabilidade.
Detalhes do voo fretado e fluxo migratório
O voo fretado, operado pela companhia aérea hondurenha Aviatsa, pousou em Viracopos por volta das 9h de quinta-feira (12). A empresa afirmou que os imigrantes pretendiam solicitar refúgio ou proteção migratória no Brasil e que todos estavam devidamente identificados com passaportes válidos. Este foi o primeiro voo da Aviatsa transportando refugiados haitianos para o Brasil, e a companhia está regularizada junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operações não regulares.
De acordo com a PF, Viracopos integra uma rota migratória de haitianos, com um fluxo de aproximadamente três voos fretados semanais, transportando cerca de 600 passageiros. Após a identificação das irregularidades, a PF comunicou a inadmissão dos passageiros, que foram reembarcados na aeronave com autorização para decolagem, mas a aeronave permaneceu no pátio do aeroporto por questões operacionais da companhia aérea.
Condições dos imigrantes durante a espera
Por volta das 19h de quinta-feira, os passageiros foram transferidos para uma sala restrita no terminal, onde parte do grupo permaneceu. Eles passaram a noite em cadeiras e colchões, com acesso a banheiros e refeições fornecidas pelo aeroporto. A situação prolongada chamou a atenção para as condições humanitárias e os desafios enfrentados pelos migrantes em busca de uma nova vida no Brasil.



