Queijo de tereré: tradição de MS vira ingrediente artesanal inusitado
Queijo de tereré: tradição de MS vira ingrediente artesanal

O sabor do tereré, tradição tão presente em Mato Grosso do Sul, ganhou uma versão inusitada no interior do estado: um queijo artesanal feito com erva-mate. A criação é do produtor Alceu Cabral, de Jaraguari, que transformou a bebida típica sul-mato-grossense em ingrediente de um dos produtos mais curiosos da região.

A propriedade fica às margens da MS-010, no km 45, onde a família mantém a queijaria há cerca de cinco anos. O produtor conta que a ideia inicial era viver da venda de leite, mas os baixos preços pagos pelo produto fizeram com que ele buscasse uma alternativa para aumentar a renda.

Regularização e apoio municipal

“Eu decidi agregar valor ao leite e comecei a produzir queijo. Mas queria fazer tudo regularizado, sem trabalhar na clandestinidade”, relembra Alceu. Segundo ele, a regularização da produção só foi possível após apoio da prefeitura de Jaraguari, que estruturou o Serviço de Inspeção Municipal (SIM). A partir daí, a produção cresceu e hoje a queijaria fabrica 14 tipos diferentes de queijo, incluindo receitas autorais. Entre elas, o mais famoso é justamente o queijo de tereré.

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Inspiração na certificação de baixo carbono

A ideia surgiu em 2024, depois que a propriedade recebeu uma certificação de produção de baixo carbono da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). O reconhecimento veio após um ano de estudos realizados na fazenda. Na época, segundo o produtor, a propriedade se tornou a primeira do Brasil a receber esse tipo de certificação na produção e a segunda do mundo. Para marcar o momento, ele decidiu criar um queijo que representasse a cultura sul-mato-grossense. “Queria homenagear o estado usando algo que faz parte da nossa cultura. O tereré está presente na vida do sul-mato-grossense, então resolvi criar um queijo de tereré”, explica.

Processo de fabricação e sabor

O processo de fabricação inclui a adição da erva de tereré diretamente ao leite, ainda durante a pasteurização. O resultado é um queijo de coloração levemente esverdeada e sabor diferente dos tradicionais. Nas primeiras versões, o gosto da erva era mais forte e marcante. Hoje, o produtor diz que a receita foi ajustada para deixar o sabor mais suave. “A maioria das pessoas gostou. Claro que tem quem não goste, principalmente quem já não aprecia o próprio tereré”, brinca.

Comercialização e futuro

Atualmente, o queijo é produzido apenas para eventos e degustações. O produtor ainda aguarda apoio técnico de uma universidade para concluir a documentação necessária e ampliar a comercialização do produto. Mesmo antes de chegar oficialmente ao mercado, o queijo já chamou atenção pela criatividade e pela ligação direta com a identidade cultural de Mato Grosso do Sul.

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