Suspeitos de divulgar fotos íntimas apagaram provas e usaram ChatGPT, diz MP
Suspeitos de divulgar fotos íntimas apagaram provas

Dois homens investigados por divulgar fotos íntimas de mulheres em um grupo de WhatsApp destruíram provas para tentar induzir a Justiça ao erro, de acordo com denúncia do Ministério Público de Roraima. Pedro Guilherme Becker Soares, de 23 anos, e Matheus Terra Fabri, de 24, são os principais suspeitos. Um amigo da dupla, Felipe Gaio de Matos, de 24 anos, também foi denunciado por divulgação de cena de nudez.

Diálogos revelam destruição de provas

Segundo o inquérito da Polícia Civil, diálogos recuperados do dia 10 de dezembro de 2024 — três dias após uma das vítimas confrontar Pedro Becker — mostram os suspeitos falando sobre apagar provas. Em uma das mensagens, Pedro escreveu: “Vou dar a limpa na minha galeria e resetar tudo”, enquanto Matheus respondeu: “Apaguei tudo já”.

O MP afirma que Pedro Becker “orquestrou uma fraude processual” com Matheus Terra, coordenando a destruição de dados, o que teria dificultado a identificação concreta do grupo pela polícia. Durante a operação da Polícia Civil que cumpriu mandados de busca e apreensão contra os investigados e outros dois amigos, os agentes encontraram uma ficha manuscrita na mesa de estudos de Pedro Becker com orientações. Entre elas, havia a instrução: “Não falar sobre o grupo (integrantes)”.

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“A investigação apontou que a prova material da existência do grupo e das interações entre seus membros foi severamente comprometida pela ação dolosa dos investigados principais (Pedro e Matheus)”, diz trecho da denúncia do MP.

Mais de mil arquivos íntimos de vítimas

Ainda segundo o MP, em uma conversa gravada por uma advogada que também é vítima do caso, Pedro afirmou que o grupo existia “há muito tempo” e que “nunca vazou” nenhum conteúdo íntimo. Inicialmente, Pedro negou as acusações e tentou responsabilizar o melhor amigo, que não é investigado. Depois, admitiu ter compartilhado as imagens no grupo, mas alegou que o ambiente era “confiável”.

O inquérito da Polícia Civil aponta ainda que Pedro armazenava ao menos 1,1 mil arquivos íntimos de vítimas no celular, distribuídos em 10 pastas identificadas com os nomes das mulheres. A investigação também identificou que Pedro confessou os crimes em interações com o ChatGPT.

A delegada Carolina Huppes, no inquérito, classificou que a forma como Pedro agia revelou um padrão de comportamento “predatório” e “ardiloso”, voltado a violar a privacidade escolhida pelas vítimas. Segundo a investigação, o suspeito recebia as fotos com visualização única e usava um segundo celular para gravar a tela e salvar os arquivos, que depois eram compartilhados com amigos.

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