Duas crianças haitianas são liberadas após mais de 24 horas retidas em Viracopos
Crianças haitianas liberadas após retenção em Viracopos

Duas crianças haitianas são liberadas após mais de 24 horas retidas em Viracopos

A Polícia Federal liberou no início da tarde desta sexta-feira (13) duas crianças haitianas que estavam retidas no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), desde a manhã de quinta-feira (12). As duas meninas, que possuíam vistos regulares, foram as primeiras a deixar o terminal após mais de 24 horas de confinamento, enquanto outros 116 imigrantes permanecem em uma sala restrita aguardando regularização.

Problemas na documentação e retenção prolongada

O grupo de 120 haitianos chegou a Viracopos às 9h de quinta-feira (12) em um voo fretado. Durante o controle migratório, a Polícia Federal identificou que 118 passageiros apresentavam vistos humanitários falsificados, o que resultou na medida administrativa de inadmissão. Apenas duas pessoas puderam desembarcar imediatamente, enquanto as demais foram reembarcadas na aeronave para retorno ao ponto de origem.

No entanto, a aeronave permaneceu no pátio do aeroporto por cerca de 10 horas devido a questões operacionais da companhia aérea. Por volta das 19h, os 118 haitianos foram liberados do avião e transferidos para uma sala restrita no terminal, onde tiveram acesso a banheiro, chuveiro e alimentação.

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Investigação por contrabando de migrantes

A Polícia Federal confirmou que a companhia aérea responsável pelo voo, a Aviación Tecnológica S.A. (Aviatsa), será investigada por contrabando de migrantes. O crime, previsto no Artigo 232-A do Código Penal, envolve promover a entrada ilegal de estrangeiros no território nacional com fins econômicos, podendo resultar em pena de 2 a 5 anos de reclusão.

A PF destacou que adotará medidas para apurar irregularidades relacionadas à falsificação de documentos e à organização do deslocamento irregular de imigrantes. A Aviatsa, por sua vez, afirmou que os passageiros estavam devidamente identificados e com passaportes válidos, buscando exercer o direito de solicitar refúgio ou proteção migratória no Brasil.

Contexto da crise no Haiti e direitos humanos

O Haiti enfrenta uma grave crise humanitária, marcada por violência de gangues, instabilidade política e escassez de alimentos e medicamentos. A situação levou muitos haitianos a buscarem refúgio em outros países, incluindo o Brasil.

A organização Advogados Sem Fronteiras (ASF) criticou a condução do caso, alegando que os imigrantes foram mantidos em um limbo jurídico que impede o exercício de seus direitos. A ASF também relatou que advogados de direitos humanos foram impedidos de acessar os passageiros inicialmente, e que entre os retidos há pessoas com condições médicas preexistentes e crianças com visto de reunião familiar.

Processo de regularização e próximos passos

Segundo a Polícia Federal, os haitianos que desejarem solicitar refúgio devem iniciar o processo por meio do Sistema Sisconare, preenchendo um formulário eletrônico e comparecendo à unidade da PF no aeroporto para validação. A PF ressaltou que o pedido de refúgio é personalíssimo e deve ser apresentado individualmente.

Enquanto isso, as duas crianças liberadas têm a mulher responsável por elas com visto de refúgio ainda em processamento. A PF informou que nenhum outro imigrante fez a solicitação de refúgio até o momento, mantendo os 116 haitianos na sala restrita à espera de regularização.

O Ministério das Relações Exteriores foi contactado para se pronunciar sobre o caso, mas ainda não emitiu uma posição oficial. A concessionária do aeroporto destacou que não tem competência sobre processos migratórios, função exclusiva do Ministério da Justiça e Segurança Pública e do Ministério das Relações Exteriores.

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