Layoff atinge 1.220 trabalhadores no noroeste do Rio Grande do Sul
Mais de 1.200 funcionários de três empresas do setor de máquinas agrícolas no noroeste do Rio Grande do Sul tiveram seus contratos de trabalho suspensos por meio do programa de layoff. A medida foi adotada devido a uma queda acentuada nas vendas de colheitadeiras, que reduziu 40% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Os trabalhadores afetados estão nas cidades de Horizontina, Santa Rosa e Panambi.
O que é o layoff?
O layoff é um programa que permite a suspensão temporária dos contratos de trabalho para que as empresas possam enfrentar crises financeiras sem recorrer a demissões em massa. Durante o período de afastamento, que pode durar até cinco meses, o trabalhador continua recebendo salário: uma parte é paga pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), do governo federal, e a outra é complementada pela empresa. Em contrapartida, o funcionário precisa frequentar cursos de qualificação profissional.
Distribuição dos trabalhadores afetados
- Horizontina: 800 trabalhadores estão no programa desde abril.
- Santa Rosa: 300 funcionários.
- Panambi: 120 metalúrgicos.
O total de 1.220 metalúrgicos afastados representa uma parcela significativa da força de trabalho local.
Depoimento de trabalhador
O metalúrgico Sergio Peres dos Santos, que trabalha em uma indústria de colheitadeiras em Santa Rosa, relata a angústia gerada pela situação: "O pessoal fica bastante apreensivo, sem saber o que vai acontecer, se vai acontecer demissão. Ou vou pro layoff ou vou ser demitido. O pessoal fica bem ansioso até que se decide isso".
Queda nas vendas e perspectivas do setor
O principal motivo para a adoção do layoff é a redução de 40% nas vendas de colheitadeiras no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Entre janeiro e março deste ano, foram vendidas 1.315 colheitadeiras no Brasil, contra 2.127 no ano anterior.
De acordo com o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão Bastos de Oliveira, a baixa se deve à rentabilidade reduzida do agricultor e às altas taxas de juros. "Se ele for pegar qualquer dinheiro fora do plano safra, vai custar pra ele 22%", explica. A queda ocorre no mercado interno, já que as exportações apresentaram aumento. A previsão de recuperação, no entanto, é incerta: "Esse ano a gente não vê grandes modificações nem o ano que vem. Talvez o outro ano, talvez 2028", projeta Oliveira.
Preocupação entre trabalhadores e sindicato
A incerteza preocupa funcionários e o sindicato da categoria, já que este é o segundo layoff em três anos. O coordenador regional da Federação dos Metalúrgicos do RS, Savio André dos Santos, lembra que, após um programa semelhante em 2024, as empresas reduziram seus quadros de funcionários. "Após o layoff que tivemos em 2024, as companhias multinacionais reduziram seus quadros em percentuais pequenos, readequando conforme a realidade das produções", aponta Santos. Ele defende a manutenção dos empregos como forma de garantir mão de obra qualificada para o futuro: "Manter esses postos de trabalho é uma garantia que lá no futuro você vai ter uma mão de obra qualificada, produtividade e também qualidade no seu produto".
Posicionamento das empresas
John Deere: Em nota, a empresa informou que mantém seu planejamento de readequação de volume e a suspensão temporária de contratos na unidade de Horizontina, em alinhamento com as demandas de mercado. A empresa destacou que os funcionários participam de cursos de qualificação no Senai.
AGCO: A empresa comunicou que suspendeu temporariamente parte de suas operações em Santa Rosa após análise do cenário. A proposta de layoff, com duração inicial de três meses, foi aprovada em assembleia e visa "readequar o volume de produção à demanda atual do mercado, priorizando a manutenção do nível de emprego".



