Crise no Seguro Defeso: 70 mil pescadores do Piauí sem receber parcelas atrasadas
Piauí: 70 mil pescadores sem Seguro Defeso há meses

Crise no Seguro Defeso deixa 70 mil pescadores do Piauí sem receber parcelas atrasadas

Aproximadamente 70 mil pescadores artesanais do Piauí estão sem receber o Seguro Defeso, um benefício crucial durante o período da Piracema, quando a pesca comercial é proibida para preservar a reprodução dos peixes. A presidente da Federação dos Pescadores do Piauí (FEPEPI), Raimunda de Sousa, revelou que há parcelas em atraso desde 2024, e a situação se agravou com a mudança na gestão do programa.

Mudança na gestão e falta de respostas

Em novembro de 2025, a administração do Seguro Defeso foi transferida do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), como parte de uma reorganização do governo federal. O objetivo declarado era agilizar os processos, ampliar o controle e reduzir fraudes, garantindo que o pagamento chegasse aos pescadores que dependem do auxílio.

No entanto, a transição tem sido problemática. Raimunda de Sousa afirmou que os pescadores estão sendo afetados desde o ano passado, e o defeso de 2025-2026 se tornou pior com a migração. Ela destacou que muitos benefícios estão sendo colocados em exigência sem sentido, deixando os trabalhadores sem esperanças de receber o seguro.

Impacto direto na alimentação das famílias

A falta do benefício está causando sérias dificuldades, especialmente na alimentação. Durante o Natal de 2025, um pescador relatou não ter sequer um frango para a ceia, exemplificando a crise. Com a proibição da pesca comercial até maio, muitas famílias dependem exclusivamente do Seguro Defeso para sobreviver.

As principais causas dos atrasos incluem divergências entre os dados dos pescadores e o sistema federal, além da falta de prazo para a manutenção do Registro do Exercício da Atividade Pesqueira (REAP).

Responsabilidades em disputa

Procurado, o MTE informou que os pagamentos em questão são de responsabilidade do INSS. Já o INSS no Piauí disse que solicitou informações a Brasília e aguarda resposta, criando um impasse burocrático que deixa os pescadores em situação de vulnerabilidade.

Quem tem direito ao Seguro Defeso?

Para receber o benefício, é necessário:

  • Depender exclusivamente da pesca como principal fonte de renda.
  • Estar registrado no Ministério da Pesca há pelo menos um ano.
  • Ter contribuído para a previdência com base na venda dos produtos pescados fora do período de defeso.
  • Não receber o Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou outros benefícios previdenciários, exceto auxílio-acidente e pensão por morte limitada a um salário-mínimo.

Os interessados podem requerer o benefício online pelo site Meu INSS.

Período da Piracema no Piauí

A pesca comercial e esportiva está proibida no estado entre 15 de novembro de 2025 e 16 de março de 2026, visando proteger o ciclo reprodutivo dos peixes. A pesca de subsistência permanece liberada, com limite de 5 kg por dia, e é permitido o transporte de peixes de pisciculturas com declaração de origem.

Quem desrespeitar as normas pode enfrentar multas de R$ 700 a R$ 100 mil, mais R$ 20 por quilo de pescado, e até prisão.

Esta crise evidencia a fragilidade dos sistemas de proteção social para trabalhadores essenciais, como os pescadores artesanais, que dependem de benefícios como o Seguro Defeso para sua subsistência durante períodos de restrição ambiental.