Governo avalia como positivo avanço de PEC sobre fim da escala 6x1 na Câmara
Governo vê como positivo avanço de PEC sobre fim da escala 6x1

Governo avalia como positivo avanço de PEC sobre fim da escala 6x1 na Câmara

O Palácio do Planalto classificou como "gesto positivo" a decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), de avançar com as discussões sobre o fim da escala de trabalho 6x1. Nesta segunda-feira (9), Motta encaminhou para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata diretamente desse tema polêmico.

Plano do governo mantém envio de projeto de lei próprio

Apesar da avaliação favorável, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve manter seu plano original de enviar um projeto de lei sobre o tema ao Congresso Nacional. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou ao g1 que o anúncio de Motta confirma a intenção dele de levar adiante a agenda na Câmara, mas ressaltou que o Executivo continua considerando mandar uma proposta legislativa própria.

Prioridade máxima em ano eleitoral

O fim da jornada de trabalho 6x1 transformou-se em uma das prioridades máximas do governo Lula para este ano, potencialmente servindo como um dos principais motes de campanha para a possível reeleição do presidente. Por essa razão, o governo busca celeridade máxima no processo legislativo.

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Durante entrevista concedida em São Paulo nesta segunda-feira, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, deixou claro que o governo deseja a votação do fim da escala 6x1 ainda em 2024, preferencialmente ainda no primeiro semestre.

Projeto de lei versus PEC: vantagens estratégicas

Boulos apresentou uma análise detalhada sobre as diferenças processuais entre um projeto de lei e uma Proposta de Emenda à Constituição:

  • O envio de um projeto de lei com urgência constitucional permitiria uma análise mais rápida e facilitada pelo Congresso Nacional
  • A urgência constitucional, que tem prazo de 60 dias, trava a pauta da Casa Legislativa se não for votada, criando condições para deliberação mais ágil
  • Uma PEC necessita de mais votos para aprovação do que um projeto de lei comum, o que poderia dificultar sua tramitação

O ministro anunciou ainda que o governo pretende se reunir na quinta-feira (12) com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para discutir os melhores caminhos para a tramitação do tema, buscando um consenso sobre a forma mais eficiente de avançar com a proposta.

Detalhes da PEC em tramitação

O presidente da Câmara juntou duas propostas distintas para análise conjunta:

  1. Uma proposta da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) que acaba completamente com a escala 6x1
  2. Um texto apresentado pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG)

Segundo Motta, após a análise do texto pelo colegiado da CCJ, a proposta será encaminhada para debate em uma comissão especial da Casa. O parlamentar declarou que todos os setores da sociedade serão ouvidos, "com equilíbrio e responsabilidade", para que a melhor legislação possível seja entregue à população brasileira.

Mudanças constitucionais propostas

A PEC que agora poderá ser discutida na Câmara pretende alterar um trecho específico da Constituição Federal que trata dos direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. A proposta de Erika Hilton estabelece três mudanças fundamentais:

  • A jornada de trabalho normal não poderá ser superior a 8 horas diárias
  • A jornada semanal não poderá ultrapassar 36 horas semanais
  • A jornada será de 4 dias por semana

Segundo o texto da proposta, essas mudanças significativas entrariam em vigor somente após 360 dias da eventual promulgação da PEC, dando um período de adaptação para empresas e trabalhadores.

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