Hospital em Petrópolis enfrenta crise salarial com atrasos e denúncias de intimidação
A situação financeira dos trabalhadores do Hospital Clínico de Corrêas, localizado em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, está em evidência após uma série de denúncias sobre atrasos salariais recorrentes. A vereadora Júlia Casamasso (PSOL) encaminhou uma representação formal ao Ministério Público do Trabalho (MPT-RJ) solicitando uma investigação detalhada sobre as acusações.
Denúncias detalhadas de irregularidades trabalhistas
De acordo com a parlamentar, os problemas não são recentes e vêm se acumulando ao longo do tempo, impactando severamente a vida dos funcionários. As principais queixas incluem:
- Pagamento parcial do salário referente a novembro de 2025.
- Pendências financeiras relativas ao mês de dezembro do mesmo ano.
- Atraso significativo no pagamento do 13º salário de 2025.
- Questões não resolvidas de anos anteriores, como o não pagamento do 13º desde 2022 para alguns profissionais.
Funcionários que preferiram manter o anonimato relataram uma confusão generalizada nos valores pagos e uma falta de transparência por parte da administração do hospital. Um trabalhador desabafou: “O salário de dezembro e de janeiro já fecharam folha, mas ainda tem complemento de dezembro para receber. Eles fazem uma embolação para confundir a nossa cabeça”.
Impactos financeiros e relatos de intimidação
Além dos atrasos, os profissionais destacaram consequências graves em suas vidas pessoais. Contas básicas como luz, água e aluguel estão em atraso, com relatos de colegas que enfrentaram despejos e até situações de fome na família. Um funcionário afirmou: “É pensão, conta de luz, água, aluguel. Isso não espera. Já ouvi relatos de colegas despejados e filho passando fome”.
Outro ponto alarmante são as denúncias de pressão e intimidação no ambiente de trabalho. Quando os funcionários tentam cobrar os pagamentos devidos, são ameaçados pela chefia, que chega a dizer: “se não está satisfeito, vai embora”. Há ainda acusações de descontos, como o do FGTS, que não estariam sendo repassados corretamente.
Posicionamento da vereadora e resposta do hospital
Para a vereadora Júlia Casamasso, a situação exige uma apuração rigorosa. Ela declarou: “Salário é verba alimentar. Atraso e falta de transparência não podem virar rotina em um serviço essencial que funciona com recursos públicos”. Em sua representação, protocolada em 19 de janeiro de 2026, ela pede:
- Abertura de uma investigação pelo MPT.
- Solicitação de documentos como folhas de pagamento e relatórios financeiros.
- Depoimentos de dirigentes do hospital e representantes do município.
- Apuração de um contrato que envolve duas empresas no mesmo serviço.
O hospital, por sua vez, respondeu em nota ao g1, atribuindo os atrasos à ausência de repasses da Prefeitura de Petrópolis, o que teria gerado um débito expressivo com a instituição. A administração afirmou que presta serviços exclusivamente ao SUS e está buscando uma solução amigável com o município, acreditando que a pendência será regularizada em breve.
A vereadora ressaltou que o hospital mantém vínculo com a prefeitura na prestação de serviços de saúde e que os trabalhadores denunciaram sem apresentar documentos por medo de retaliações. O caso agora depende das ações do MPT para garantir os direitos trabalhistas e a continuidade dos serviços de saúde à população de Petrópolis.