Presidente da Shell Brasil defende continuidade dos investimentos em petróleo
O presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa, afirmou em entrevista exclusiva que o mundo ainda está muito longe de abrir mão dos combustíveis fósseis. Segundo ele, os investimentos em petróleo e gás continuarão sendo necessários por, pelo menos, mais uma década, devido a fatores técnicos e à crescente demanda global por energia.
Brasil pode voltar a importar petróleo sem novas descobertas
Costa alertou que o Brasil, apesar de ser um dos dez maiores produtores mundiais graças ao pré-sal, corre o risco de reverter essa posição. Dados da Agência Nacional do Petróleo revelam que a perfuração de poços praticamente estagnou na última década, com apenas 100 poços perfurados no ano passado, número semelhante ao de 2012.
"Sem novas descobertas, o Brasil pode voltar a importar petróleo nos próximos anos", afirmou o executivo, destacando que isso reverteria um cenário altamente positivo para a balança comercial brasileira, onde o petróleo foi o principal item em 2024.
Complexidade da transição energética
O presidente da Shell Brasil enfatizou que a transição energética é um processo muito mais complexo do que simplesmente substituir uma fonte por outra. Ele citou três vetores principais que tornam essa mudança desafiadora:
- Crescente demanda global por energia
- Segurança energética, especialmente após conflitos recentes
- Transição justa, garantindo energia a preços acessíveis
"Esses três vetores tornam a transição energética muito mais complexa", explicou Costa, ressaltando que o setor de óleo e gás responde por 15% do PIB industrial brasileiro.
Inteligência artificial como fator de atraso
Um aspecto pouco discutido, segundo Costa, é o impacto da inteligência artificial no consumo energético. Projeções indicam que até 2030, 12% do consumo de energia dos Estados Unidos estará associado à IA, ante 3% atualmente. Essa demanda exige fornecimento contínuo e confiável, reforçando o papel de fontes despacháveis como termelétricas a gás.
Parcerias estratégicas e investimentos
A Shell mantém importantes parcerias no Brasil, sendo o maior parceiro da Petrobras no país. A empresa também colabora com companhias chinesas no Campo de Mero, operado pela Petrobras. Costa destacou que essas parcerias são essenciais para projetos de grande escala e alto risco.
"A Shell tomou recentemente uma das maiores decisões de investimento de sua história no Brasil", afirmou o executivo, referindo-se ao projeto Gato do Mato, com início de operação previsto para 2029.
Combate à fraude de combustíveis
Costa abordou ainda o problema estrutural das fraudes no setor de combustíveis, que geram uma evasão fiscal estimada em 30 bilhões de reais por ano. "A indústria viu com bons olhos a Operação Carbono Oculto", disse, destacando a importância do alinhamento entre governos federal, estaduais e municipais no combate à ilegalidade.
Novas frentes de negócios
Apesar da ênfase nos combustíveis fósseis, a Shell está desenvolvendo novas frentes estrategicamente relevantes no Brasil. Entre elas estão as Soluções Baseadas na Natureza, com parcerias focadas em reflorestamento e prevenção do desmatamento, gerando créditos de carbono.
"Nossa visão de longo prazo é estar presente em praticamente toda a cadeia energética no país, do poço ao consumidor final", concluiu Cristiano Pinto da Costa, reforçando o compromisso da empresa com o desenvolvimento energético brasileiro.