Saneamento básico lidera intenções de investimento em infraestrutura no Brasil, aponta pesquisa
Saneamento lidera investimentos em infraestrutura no Brasil

Saneamento básico lidera intenções de investimento em infraestrutura no Brasil, aponta pesquisa

O setor de saneamento básico está no topo das prioridades de investimento em infraestrutura no Brasil, segundo a 14ª edição do Barômetro da Infraestrutura. A pesquisa semestral, realizada pela Associação Brasileira da Infraestrutura e das Indústrias de Base (ABDIB) em parceria com a EY-Parthenon, revela que 49,2% das intenções de investimento estão direcionadas a essa área, superando rodovias e energia elétrica.

Otimismo no setor aumenta significativamente

O estudo aponta um aumento de 13,6 pontos percentuais no otimismo do setor em comparação com a última edição. Foram ouvidos 225 gestores, investidores e especialistas, dos quais 54,2% consideram o cenário favorável para a promoção de investimentos nos próximos seis meses. Na edição anterior, referente ao primeiro semestre de 2025, essa parcela era de 40,6% dos entrevistados.

Distribuição das intenções de investimento

Além do saneamento básico, outras áreas também recebem atenção significativa dos investidores:

  • Rodovias: 47,8% das intenções de investimento
  • Energia elétrica: 38,5% das intenções de investimento

Esses dados refletem um foco claro em setores essenciais para o desenvolvimento do país, com o saneamento emergindo como a principal prioridade.

Investimentos privados batem recorde, mas PPPs e concessões têm potencial

O ano de 2025 se destacou pelo investimento recorde da iniciativa privada, que totalizou 234,9 bilhões de reais, equivalente a 84% do total investido em infraestrutura. No entanto, a pesquisa indica que há espaço para crescimento nas Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões.

Segundo os respondentes:

  1. 46,4% acreditam que a União aproveita parcialmente o potencial para investimentos em infraestrutura por meio de PPPs e concessões
  2. 41% consideram que a União aproveita muito pouco
  3. 6,8% afirmam que se aproveita totalmente
  4. 5% indicam que não se aproveita nada

Essa percepção sugere que o mercado vem reconhecendo um esforço maior do Governo Federal na estruturação de projetos, embora ainda existam desafios a serem superados.

Perspectivas favoráveis para contratações, mas gargalo na mão de obra

A pesquisa também revela que 47,5% dos respondentes têm perspectivas favoráveis para contratações, um avanço de 11,3 pontos percentuais em relação à edição passada. Contudo, a escassez de mão de obra qualificada consolidou-se como um gargalo estrutural no setor.

Dados alarmantes mostram que:

  • 87,5% dos entrevistados confirmam que a falta de profissionais impacta o mercado de atuação de suas empresas
  • 45,4% indicam médio impacto
  • 42,1% apontam alto impacto

Essa carência de profissionais qualificados representa um obstáculo significativo para o crescimento sustentável da infraestrutura nacional.

Evento discute prioridades para o futuro do setor

As perspectivas do setor de infraestrutura serão tema do VEJA Fórum Infraestrutura – Uma Agenda Para o Futuro, programado para 27 de março. O evento reunirá autoridades públicas, lideranças empresariais e especialistas para debater as prioridades para o próximo ciclo de governos e os caminhos que podem impulsionar o crescimento do país.

Entre os participantes confirmados estão:

  • Renan Filho, ministro dos Transportes
  • Ricardo Alban, presidente da CNI
  • Tarcísio de Freitas, governador do Estado de São Paulo

O fórum promete ser um espaço crucial para a discussão de estratégias que possam alavancar os investimentos e enfrentar os desafios estruturais, como a falta de mão de obra qualificada.