Raízen protocola pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívida de R$ 65 bilhões
Raízen pede recuperação extrajudicial para dívida de R$ 65 bi

Raízen protocola pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívida de R$ 65 bilhões

A Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, protocolou na terça-feira, 10 de março de 2026, um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras. A empresa enfrenta dificuldades financeiras há meses, decorrentes de alto endividamento e deterioração recente dos resultados, incluindo prejuízos bilionários em trimestres consecutivos.

Modelo de recuperação extrajudicial e adesão de credores

No modelo de recuperação extrajudicial, a empresa negocia diretamente com um grupo específico de credores financeiros e, posteriormente, submete o acordo à homologação judicial. Este formato difere da recuperação judicial tradicional, na qual todas as dívidas da companhia passam a ser renegociadas na Justiça. Segundo a Raízen, credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras já aderiram ao plano.

A legislação prevê um prazo de até 90 dias para que a empresa alcance o quórum mínimo necessário para a homologação do acordo, o que permitiria estender as novas condições a 100% dos créditos incluídos na negociação. Em comunicado ao mercado, a companhia afirmou que o pedido foi protocolado na Justiça de São Paulo com o objetivo de criar um ambiente jurídico estável para a renegociação das obrigações financeiras.

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Plano de reestruturação e medidas financeiras

O plano de reestruturação prevê diversas medidas para reequilibrar a estrutura de capital da Raízen, incluindo:

  • Capitalização da companhia pelos acionistas
  • Conversão de parte das dívidas em participação acionária
  • Substituição de créditos por novos instrumentos de dívida
  • Reorganizações societárias
  • Venda de ativos

A empresa já havia informado anteriormente que a Shell deve injetar R$ 3,5 bilhões na companhia, enquanto o fundo Aguassanta Investimentos, ligado à família de Rubens Ometto, controlador da Cosan, deve aportar R$ 500 milhões. Além disso, a Raízen busca levantar recursos com a venda de ativos, incluindo a operação na Argentina, com expectativa de arrecadar cerca de US$ 1 bilhão.

Contexto financeiro e operações normais

A deterioração financeira da Raízen ocorreu após uma combinação de fatores, como expansão acelerada, condições climáticas adversas que afetaram a safra de cana-de-açúcar e o aumento do custo do crédito nos últimos anos. Nos resultados mais recentes, a empresa registrou:

  • Prejuízo de R$ 2,5 bilhões no terceiro trimestre da safra 2024/2025
  • Prejuízo líquido de R$ 2,3 bilhões no segundo trimestre da safra 2025/2026
  • Dívida líquida ultrapassando R$ 53 bilhões

Em nota, a companhia destacou que a recuperação extrajudicial tem escopo restrito às obrigações financeiras e não afeta compromissos operacionais. "A Companhia esclarece que a Recuperação Extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrangerá as dívidas e obrigações do Grupo Raízen com seus clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios", afirmou. Segundo o comunicado, as operações seguem normalmente.

O processo de reestruturação é conduzido por Lourival Luz, diretor financeiro da companhia. Paralelamente, na mesma terça-feira, o Grupo Pão de Açúcar também recorreu ao mesmo instrumento de recuperação extrajudicial para tratar de débitos de R$ 4,5 bilhões, destacando um cenário de desafios financeiros no setor empresarial brasileiro.

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