A proposta de fim da escala 6x1 e redução da jornada semanal para 40 horas avança na Câmara e já impacta a realidade das empresas. A economista-chefe da Lifetime, Marcela Kawuait, explica que a maioria dos estudos aponta um aumento de cerca de 10% na folha salarial caso as empresas precisem contratar mais para cobrir as horas reduzidas. No entanto, esse cenário é estático; na prática, a busca por produtividade pode mitigar os custos.
O que é produtividade do trabalhador?
A produtividade do trabalhador é um indicador que mede quanto valor (PIB) é gerado por hora trabalhada em um período. Não se trata de trabalhar mais, mas de trabalhar com eficiência, agregando valor a produtos ou serviços. No Brasil, a produtividade está estagnada há 40 anos, com média de 0,6% ao ano, ocupando o 94º lugar entre 184 nações, atrás de Uruguai, Chile e Argentina.
Como aumentar a produtividade?
Segundo Marcela Kawuait, a saída para o aumento de custos com a redução da jornada passa por revisões de processos, reorganização de rotinas e adoção de tecnologias que permitam produzir mais em menos tempo. No curto prazo, ganhos vêm de ajustes operacionais, uso de ferramentas digitais e reorganização de equipes. Já no longo prazo, a produtividade depende de educação de qualidade, formação técnica, infraestrutura eficiente e menos burocracia.
A importância da regra de transição
A economista destaca que a adaptação não ocorre da noite para o dia. Por isso, uma regra de transição é essencial para amortecer o impacto, dando tempo para as empresas se ajustarem sem repassar todo o custo para os preços, evitando efeitos inflacionários no curto prazo. Sem transição, o risco é de aumento de preços ou redução de margens, afetando investimentos.
Produtividade de curto, médio e longo prazo
No curto prazo, ferramentas de fácil implementação, como softwares, podem ser introduzidas pelos empresários. No médio prazo, a reorganização das equipes e processos traz ganhos. Já no longo prazo, a produtividade depende de um conjunto estrutural: educação que começa cedo e chega à faculdade, formação técnica, infraestrutura e desburocratização. Esse conjunto eleva o PIB potencial do país.
O debate sobre a escala 6x1 vai além do tempo de trabalho: escancara o desafio brasileiro de produzir mais e melhor sem necessariamente trabalhar mais horas. A produtividade do trabalhador é a chave para conciliar redução de jornada com competitividade e controle da inflação.



