Pinterest anuncia redução de até 15% do quadro de funcionários para investir em inteligência artificial
A plataforma de compartilhamento de imagens Pinterest anunciou nesta terça-feira (27) uma significativa reestruturação em sua operação. A empresa informou que vai reduzir em até 15% seu quadro de funcionários, com o objetivo de realocar recursos em funções e estratégias voltadas para a inteligência artificial.
Impacto nos postos de trabalho e custos da reestruturação
Em setembro do ano passado, o Pinterest contava com 5.205 funcionários em tempo integral. Com base nesse número, o corte anunciado pode atingir aproximadamente 780 postos de trabalho. Além disso, a companhia pretende fechar escritórios menores que estavam ligados a aquisições realizadas nos últimos anos.
Os encargos de reestruturação antes de impostos devem ficar entre US$ 35 milhões e US$ 45 milhões. O plano de reestruturação deve ser concluído até o final do terceiro trimestre deste ano.
Contexto de investimentos em IA e reação do mercado
Recentemente, o Pinterest lançou duas ferramentas voltadas para a automação e personalização: o Pinterest Assistant, uma ferramenta de compras com recomendações personalizadas, e o pacote de anúncios Performance+, focado na automação de campanhas publicitárias.
No entanto, as ações da empresa caíram quase 10% após uma apresentação sobre inteligência artificial que não conseguiu empolgar os investidores. Isso ocorre em meio a uma crescente concorrência por fatias do mercado de anúncios com plataformas como TikTok, Facebook e Instagram, da Meta.
Análises de especialistas sobre a estratégia da empresa
Jeremy Goldman, analista da Emarketer, comentou sobre a movimentação: “Sem uma redução clara de custos ou um caminho concreto para o crescimento da receita impulsionado por IA, esses cortes parecem mais defensivos do que estratégicos”.
Durante a reunião anual do Fórum Econômico Mundial, realizada no início deste mês, executivos discutiram o impacto da IA no mercado de trabalho. Dois deles afirmaram à Reuters que a inteligência artificial tem sido usada como justificativa por empresas que já planejavam demissões em massa.
Danni Hewson, chefe de análise financeira da AJ Bell, acrescentou: “Muitas companhias precisam mostrar aos investidores que os gastos elevados com IA valem a pena e, ao mesmo tempo, sinalizar cortes em outras áreas para financiá-los”.