A Petrobras pode enfrentar uma reação negativa no mercado após anunciar dividendos abaixo das expectativas, conforme avaliação de analistas da XP Investimentos e do Banco Safra em relatórios divulgados nesta terça-feira, 12 de maio de 2026. A estatal reportou lucro líquido de R$ 32,6 bilhões no primeiro trimestre, uma queda de 7,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, em um contexto de alta do petróleo no mercado internacional que não se refletiu plenamente no balanço.
Dividendos e Ebitda ficam aquém do esperado
A companhia pagou R$ 9,3 bilhões em dividendos, valor inferior aos R$ 12 bilhões projetados pelo mercado. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) atingiu R$ 61,7 bilhões, 9% abaixo da estimativa do Banco Safra. Para a XP Investimentos, o desempenho fraco é atribuído principalmente a preços de exportação de petróleo bruto mais baixos que o previsto, em torno de US$ 72 por barril, alta de 6,5% na comparação trimestral, enquanto o Brent subiu 27% no mesmo período.
“A nosso ver, os resultados do primeiro trimestre da Petrobras decepcionaram as expectativas e provavelmente devem desencadear uma reação negativa nas ações no próximo pregão. No entanto, entendemos que isso não deve se traduzir em revisões relevantes para baixo nas estimativas futuras”, afirma Regis Cardoso, analista da XP.
Justificativa da Petrobras e visão do Safra
Embora o trimestre tenha coincidido com a escalada militar no Oriente Médio e a disparada do petróleo, a Petrobras destacou que os efeitos mais fortes da crise ainda não apareceram nos resultados financeiros, devido ao intervalo entre o embarque do petróleo exportado e o reconhecimento da receita. Grande parte das vendas para a Ásia é precificada com base nas cotações do mês anterior à chegada da carga. O Safra, no entanto, considerou que mesmo com essa justificativa, o balanço decepcionou. O fluxo de caixa livre, que pode ser destinado a dividendos, ficou em US$ 3,9 bilhões no primeiro trimestre, abaixo dos US$ 6 bilhões esperados pelo banco.
“O resultado da Petrobras abaixo do esperado pode gerar uma reação negativa do mercado no curto prazo, mas acreditamos que os fundamentos subjacentes permanecem sólidos, com os benefícios de preço e volume esperados para serem refletidos no segundo trimestre de 2026”, concluem os analistas do Safra. A expectativa é que a recuperação ocorra nos próximos meses, à medida que os efeitos da alta do petróleo sejam incorporados aos resultados.



