O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, enfrenta uma crescente pressão para renunciar ao cargo após uma série de derrotas eleitorais e a demissão de uma alta autoridade do governo. Apesar dos pedidos de mais de 70 deputados trabalhistas, Starmer afirmou que deseja continuar governando, conforme comunicado divulgado por Downing Street nesta terça-feira, 12 de maio.
Demissão da secretária de Habitação aumenta crise
A renúncia da secretária de Estado de Habitação, Comunidades e Administração Local, Miatta Fahnbulleh, intensificou a crise política. Ela é a primeira autoridade de alto escalão a deixar o cargo após a derrota trabalhista nas eleições locais e regionais da última quinta-feira. Em uma publicação no X, Fahnbulleh pediu a Starmer que estabeleça um cronograma para uma transição ordenada de poder, visando o bem do país e do partido.
Pressão interna no Partido Trabalhista
Ao menos 70 deputados trabalhistas, de um total de 403, já pediram a renúncia de Starmer. Figuras importantes do governo, como a secretária do Interior, Shabana Mahmood, também se manifestaram a favor da saída do premiê. O processo para destituir um líder dentro do Partido Trabalhista exige que um candidato declare formalmente intenção de concorrer e obtenha o apoio de 81 deputados (20% do grupo parlamentar). Entre os que apoiam o início desse processo estão o vice-primeiro-ministro e secretário da Justiça, David Lammy, e o secretário do Comércio, Jonathan Reynolds, segundo a Sky News.
Queda de popularidade e derrotas eleitorais
Starmer, de 63 anos, assumiu o cargo em julho de 2024 com alta popularidade, após uma vitória esmagadora que encerrou 14 anos de governo conservador. No entanto, sua aprovação caiu constantemente devido à economia estagnada, ao aumento do custo de vida e aos efeitos da guerra no Oriente Médio. Além disso, ele esteve envolvido em um escândalo relacionado à nomeação e demissão de Peter Mandelson como embaixador em Washington, após a revelação de seus vínculos com Jeffrey Epstein.
Nas eleições locais de 7 de maio, os trabalhistas perderam quase 1.500 vereadores e viram um aumento significativo na popularidade do Reform UK, partido anti-imigração liderado por Nigel Farage, inclusive em redutos tradicionais como o norte da Inglaterra e Gales. Em Londres, os Verdes conquistaram votos que antes eram dos trabalhistas.
Possíveis sucessores
Uma eventual saída de Starmer não desencadearia eleições legislativas, mas sim sua substituição por outra figura do Partido Trabalhista. Entre os nomes cotados estão Wes Streeting, secretário da Saúde, de 43 anos, que já é membro do Parlamento; Andy Burnham, prefeito da Grande Manchester, de 56 anos, considerado a figura trabalhista mais popular, mas que não ocupa cadeira no Parlamento; e a ex-vice-primeira-ministra Angela Rayner, de 46 anos.
Impacto econômico
A incerteza política já afeta a economia: as taxas de juros da dívida pública atingiram 5,797% nesta terça-feira, nível não visto desde 1998. Muitos membros do Partido Trabalhista temem uma repetição da crise de 2022, quando os conservadores tiveram três primeiros-ministros em quatro meses.



