Indústria global mantém expansão, mas Brasil perde fôlego no cenário internacional
A indústria manufatureira mundial seguiu em trajetória de crescimento durante o terceiro trimestre de 2025, mesmo diante de um ambiente marcado por tensões comerciais e geopolíticas. De acordo com dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), a produção global do setor avançou 0,7% na comparação com o trimestre anterior, já considerando ajustes sazonais.
Desaceleração global e contrastes regionais
Embora positivo, o resultado representa uma desaceleração em relação ao segundo trimestre, quando o crescimento havia sido de 1%. Na comparação anual, no entanto, o desempenho segue robusto, com a produção industrial global registrando um avanço de 3,9% em relação ao terceiro trimestre de 2024. Esse ritmo consistente ao longo de 2025 reforça a resiliência do setor em meio a um cenário internacional ainda desafiador.
O crescimento tem sido sustentado principalmente por:
- Investimentos em infraestrutura e tecnologia
- Condições financeiras mais favoráveis em algumas regiões
- Avanço tecnológico, especialmente em segmentos ligados à digitalização e inteligência artificial
Brasil entre os destaques negativos
O contraste com o Brasil, porém, é significativo. No terceiro trimestre, a indústria brasileira registrou crescimento de apenas 0,2% frente ao trimestre anterior, desempenho inferior a um terço da média global. Na comparação com o mesmo período de 2024, o setor entrou em terreno negativo, com retração de 0,6%, após ter crescido 2,4% no primeiro trimestre do ano.
Esse resultado coloca o país entre os destaques negativos do levantamento da UNIDO, refletindo desafios estruturais e conjunturais que afetam a competitividade da manufatura nacional.
China mantém liderança, África se destaca
A China continuou desempenhando papel central na expansão industrial global. A manufatura chinesa cresceu 1,3% no trimestre, praticamente estável em relação ao avanço de 1,4% observado no período anterior. Na comparação anual, a alta foi de 6,6%, levemente abaixo dos 6,8% registrados no segundo trimestre, mas ainda em patamar elevado.
Já o restante da Ásia e da Oceania, excluindo a China, apresentou desaceleração mais acentuada. A região avançou 0,7% no terceiro trimestre, após crescer 1,6% no trimestre anterior. Ainda assim, manteve crescimento anual de 4%, evidenciando um desempenho mais sólido no horizonte mais longo.
Entre as demais regiões, a África se destacou positivamente, com crescimento de 1,3% no trimestre e expressiva alta de 5,1% na comparação anual, sinalizando fortalecimento da atividade industrial no continente.
América Latina e Caribe em queda
A América Latina e o Caribe foram a única região a registrar queda nas duas bases de comparação: recuo de 0,6% frente ao trimestre anterior e de 0,1% em relação ao mesmo período de 2024. Segundo a UNIDO, o desempenho negativo da região foi puxado principalmente por:
- México (-1,4% na comparação trimestral)
- Argentina (-3,2% na comparação trimestral)
No recorte anual, a queda da indústria brasileira teve peso relevante no resultado agregado da região, destacando os desafios que a América Latina enfrenta para recuperar competitividade no cenário manufatureiro global.
Na América do Norte e na Europa, o ritmo foi mais contido. As duas regiões cresceram 0,3% e 0,1%, respectivamente, na comparação trimestral. Em relação ao terceiro trimestre de 2024, os avanços foram de 1,1% na América do Norte e 1,8% na Europa, beneficiados por bases de comparação mais fracas.