Goiás registrou um aumento expressivo no número de microempreendedores individuais (MEIs) nos últimos dez anos. Segundo dados do Sebrae, o estado passou de cerca de 80 mil MEIs em 2016 para mais de 518 mil atualmente, um crescimento de 548% no período, o que representa uma média de 20,5% ao ano.
Histórias de sucesso
Mariana Malheiros Oliveira, de 30 anos, trocou a advocacia pelo crochê. O que começou como hobby virou negócio após a formalização como MEI. Ela relata que a mudança trouxe mais qualidade de vida, tempo para a família e flexibilidade. “O MEI me ajudou na organização, na emissão de nota fiscal e até em momentos difíceis”, conta. A formalização também permitiu fechar contratos com empresas e órgãos públicos, além de garantir acesso a benefícios previdenciários.
Susan Santos, de 29 anos, fundou a escola Ginga Funk em Goiânia. Com investimento inicial de R$ 800, ela formalizou o negócio como MEI desde o início. “Eu precisava de uma estratégia para sobreviver. A dança era o que eu tinha”, lembra. A escola cresceu, participou de eventos nacionais e internacionais, e tornou-se um espaço de acolhimento, especialmente para mulheres e jovens.
Impacto econômico
O gerente do Sebrae Goiás, Francisco Lima Júnior, destaca que o MEI é a principal porta de entrada para o empreendedorismo, devido à facilidade de abertura, baixo custo e menor burocracia. “Quando o empreendedor aumenta a renda, há um reflexo no consumo, principalmente no comércio local, criando um ciclo positivo”, afirma.
O economista André Amorim pondera que parte do crescimento ocorre por necessidade, diante das dificuldades no mercado de trabalho formal. “Ele aquece a economia, mas também sinaliza fragilidade no mercado de trabalho”, analisa. Fatores como juros elevados e baixa qualificação ainda limitam a expansão dos negócios.
Como se formalizar como MEI
O processo é gratuito e online pelo Portal do Empreendedor. Requisitos: faturar até R$ 81 mil por ano, exercer atividade permitida, não ser sócio de outra empresa e contratar no máximo um funcionário. Documentos: CPF, RG ou CNH, comprovante de endereço, título de eleitor ou IR, e endereço do negócio. Após cadastro, o sistema gera o CCMEI (CNPJ).
A contribuição mensal é feita pelo DAS, que garante benefícios como aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade. O pagamento pode ser via PIX, débito automático ou internet banking.
Manter a regularidade exige emissão de notas fiscais, organização das receitas, pagamento mensal do DAS e entrega da Declaração Anual de Faturamento. O Sebrae oferece orientação gratuita.



