A Polícia Militar realizou na madrugada deste domingo (10) uma operação para desocupar a Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), no campus Butantã, Zona Oeste da capital paulista. Durante a ação, os agentes utilizaram escudos, cacetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, conforme relatos de estudantes presentes no local.
Detalhes da operação
Vídeos gravados pelos alunos mostram policiais agredindo o grupo com cacetetes. Guilherme Farpa, assessor de imprensa do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, afirmou que diversos estudantes ficaram feridos. Quatro alunos foram detidos e encaminhados ao 7º Distrito Policial, na região da Lapa e Vila Romana, Zona Oeste de São Paulo.
Contexto da ocupação
Os estudantes da USP, Unicamp e Unesp estão em greve por melhorias na permanência estudantil e na infraestrutura das universidades. Na quinta-feira (7), cerca de 400 alunos invadiram o prédio da reitoria durante um protesto. Eles passaram a noite em barracas do lado de fora e dormiram em colchões no interior do edifício. Segundo os discentes, a universidade cortou energia e água da reitoria na manhã de sexta-feira (8), informação confirmada pelo g1.
Presença policial
Ao menos três policiais do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) permanecem dentro do prédio, posicionados com escudos em um dos acessos. Duas viaturas da PM fazem ronda nas proximidades.
Reivindicações dos estudantes
O movimento cobra a retomada das negociações com o reitor Aluísio Segurado. As principais exigências incluem aumento de bolsas, reforma das moradias universitárias e manutenção da estrutura física dos campi. No dia 15 de abril, alunos relataram a descoberta de um ninho de pombo na cozinha do Conjunto Residencial da USP (Crusp).
Henrique Pupio, diretor da União Estadual dos Estudantes de São Paulo e estudante da Faculdade de Direito, criticou a postura da reitoria: "Acreditamos que essa intransigência tem levado a um maior tensionamento, que só poderá ser resolvido com a reabertura do diálogo com os estudantes". Ele também informou que a Faculdade de Direito está em processo de assembleia para deliberar a continuidade da greve.
Greve nas universidades
A paralisação envolve estudantes da USP, Unicamp e Unesp. Na USP, alunos do Crusp relatam problemas estruturais graves, como luminárias queimadas, pisos e janelas quebrados, mofo, infiltrações e vazamento de gás em uma cozinha coletiva. Na Unesp, estudantes do Instituto de Artes, na Barra Funda, aderiram à greve pedindo ampliação de serviços básicos no período noturno, como atendimento médico e funcionamento da biblioteca. A mobilização ganhou força após a morte da professora Sandra Regina Campos, que sofreu um mal súbito durante uma palestra noturna em 7 de abril, quando não havia profissionais de saúde no campus.
Posicionamento das universidades
A reitoria da USP lamentou a invasão e os danos ao patrimônio público, informando que acionou forças de segurança para evitar ocupações em outros espaços. A Unesp afirmou que não foi procurada oficialmente pelos estudantes, mas que as reivindicações serão discutidas na próxima segunda-feira em reunião do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas. Já a Unicamp declarou que mantém diálogo contínuo com entidades estudantis e prioriza políticas de permanência, incluindo moradia, transporte e auxílios financeiros.



