EUA acusam China de roubo industrial de tecnologia de IA e elevam tensão antes de cúpula Trump-Xi
EUA acusam China de roubo tecnológico de IA antes de cúpula

A Casa Branca acusou formalmente a China de orquestrar um esquema de roubo em escala industrial de tecnologia de inteligência artificial desenvolvida por empresas americanas, intensificando a rivalidade geopolítica entre as duas potências. A denúncia foi revelada pelo jornal britânico Financial Times nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026, e ocorre às vésperas de um encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping.

Memorando detalha métodos sistemáticos de extração

O diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica dos EUA, Michael Kratsios, enviou um memorando a órgãos governamentais descrevendo como entidades estrangeiras, principalmente baseadas na China, estariam utilizando métodos sistemáticos para extrair conhecimento de modelos avançados de IA desenvolvidos nos Estados Unidos. Segundo o documento, a prática visa reproduzir capacidades centrais desses sistemas a um custo reduzido.

Técnica de destilação no centro das acusações

O foco das acusações é o uso da chamada model distillation, uma técnica legítima no desenvolvimento de IA que permite treinar modelos menores a partir das respostas de sistemas mais avançados. Em condições normais, a destilação é empregada para reduzir custos e tornar aplicações mais acessíveis. No entanto, o governo americano alega que empresas chinesas estariam explorando a técnica de forma indevida, replicando capacidades de sistemas proprietários sem autorização.

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O caso ganhou projeção após a ascensão da DeepSeek, uma empresa chinesa acusada por rivais de usar essa abordagem para lançar produtos competitivos com investimento menor. Empresas como OpenAI e Anthropic já haviam manifestado preocupação com o tema. A OpenAI afirmou, no início de 2025, ter identificado indícios de uso indevido de seus modelos para treinar sistemas concorrentes. Já a Anthropic acusou três empresas chinesas, incluindo a própria DeepSeek, de realizar ataques de destilação.

Estratégia chinesa para contornar restrições

Analistas apontam que o uso da destilação pode ser uma forma de compensar desvantagens estruturais da China, especialmente após restrições impostas pelos EUA à exportação de chips avançados. Segundo especialistas, a técnica permitiria reduzir a dependência de grande capacidade computacional, hoje concentrada em empresas americanas. Para o pesquisador Chris McGuire, do Council on Foreign Relations, empresas chinesas estariam recorrendo a esse tipo de prática para reproduzir capacidades centrais de modelos dos EUA de maneira mais barata.

Riscos de segurança nacional e uso indevido

Outro ponto levantado por autoridades americanas é o risco de segurança. Modelos obtidos por meios não autorizados poderiam não incorporar salvaguardas desenvolvidas por empresas ocidentais, como mecanismos para evitar usos ilegais, incluindo ataques cibernéticos ou aplicações sensíveis na área biológica. O memorando de Kratsios também menciona o uso de dezenas de milhares de contas proxy e técnicas de jailbreak para burlar sistemas de proteção e acessar informações proprietárias.

Resposta dos EUA inclui sanções e restrições

Diante do cenário, o governo americano estuda ampliar medidas de controle. Entre as possibilidades estão sanções contra empresas envolvidas, restrições de acesso a tecnologias e inclusão de grupos chineses em listas de bloqueio comercial. No Congresso, o House Foreign Affairs Committee aprovou propostas que endurecem regras para impedir o avanço chinês no setor. Um dos projetos prevê a inclusão de empresas que utilizem destilação não autorizada na chamada entity list, que restringe a venda de tecnologia americana. Além disso, o governo pretende compartilhar informações com empresas do setor para reforçar a proteção contra esse tipo de prática e coordenar respostas.

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Corrida global por liderança em IA se intensifica

A disputa entre EUA e China por inteligência artificial vem sendo comparada a uma nova corrida armamentista tecnológica. A IA é vista como estratégica não apenas para a economia digital, mas também para defesa, segurança e influência global. Embora a destilação seja uma ferramenta importante no desenvolvimento da tecnologia, o uso em larga escala sem autorização levanta questões legais e éticas que ainda estão em aberto. O episódio reforça o ambiente de crescente rivalidade entre as duas maiores economias do mundo, agora com a inteligência artificial no centro do embate.