A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou posição contundente contra a recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que manteve a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano. Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira, a entidade industrial brasileira classificou a medida como motivo de enorme preocupação para o setor produtivo e para a economia nacional como um todo.
Posicionamento firme da indústria brasileira
Segundo a CNI, a cautela excessiva demonstrada pela autoridade monetária ignora dois aspectos fundamentais: a queda consistente da inflação nos últimos períodos e os danos sociais e econômicos que o atual patamar da Selic vem causando à sociedade. A entidade argumenta que diversos indicadores econômicos já permitiriam uma redução imediata dos juros, proporcionando alívio necessário para empresas e consumidores.
Críticas do presidente da CNI
Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria, foi direto em suas declarações: "O Banco Central deveria ter iniciado o ciclo de redução dos juros há muito tempo". Ele complementou afirmando que, ao manter a Selic em nível que considera insustentável, o Copom prejudica significativamente a economia brasileira, aprofundando a desaceleração do crescimento observada nos últimos trimestres.
Alban foi enfático ao defender que "é indispensável que a flexibilização da política monetária comece já na próxima reunião" do comitê. Para o líder industrial, o momento atual exige medidas mais ousadas do Banco Central para estimular a retomada econômica sem comprometer o controle inflacionário.
Argumentos econômicos apresentados pela CNI
A CNI apresentou dados concretos para embasar sua posição favorável à redução imediata dos juros:
- O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 4,26% em 2025, ficando abaixo do teto da meta de inflação (4,5%) e também abaixo do resultado de 2024 (4,83%)
- As expectativas de inflação caminham consistentemente para o centro da meta estabelecida, que é de 3%
- De acordo com as últimas projeções do Boletim Focus, o IPCA deve fechar 2026 com alta de 4%, ante 3,8% em 2027 e 3,5% em 2028
- As projeções do próprio Banco Central apontam inflação de 3,1% no horizonte relevante da política monetária
Impactos da manutenção dos juros altos
A CNI alerta que a manutenção da Selic em 15% ao ano desconsidera os sinais positivos da economia e pode ter consequências negativas em múltiplas dimensões:
- Desaceleração do crescimento econômico: O custo do crédito elevado inibe investimentos produtivos e consumo das famílias
- Pressão sobre as empresas: O setor industrial enfrenta dificuldades para financiar operações e expandir atividades
- Impacto social: Juros altos limitam o acesso ao crédito para população de baixa renda e pequenos empreendedores
- Competitividade internacional O ambiente de juros elevados pode desestimular investimentos estrangeiros no país
A posição da CNI reflete a preocupação crescente do setor industrial com o rumo da política monetária brasileira. A entidade, que representa milhares de empresas de todos os portes e segmentos industriais, defende que o momento atual exige maior coragem e pragmatismo por parte das autoridades econômicas para garantir a recuperação sustentável da economia nacional.