Caso Master: Liquidação histórica do Banco Central e impacto sobre 800 mil investidores
A derrocada do Banco Master foi oficialmente selada em 18 de novembro de 2025, quando o Banco Central decretou sua liquidação extrajudicial, um episódio que afetou diretamente cerca de 800 mil investidores em todo o país. Este caso se tornou um dos mais emblemáticos do sistema financeiro brasileiro recente, com repercussões significativas no mercado e na confiança dos poupadores.
Operação Compliance Zero e investigações da Polícia Federal
O episódio ganhou contornos ainda mais graves com o avanço das investigações da Polícia Federal, que deflagrou a Operação Compliance Zero para apurar um conjunto de irregularidades atribuídas à instituição. Entre os principais pontos investigados estão:
- Emissão de títulos de crédito considerados potencialmente fraudulentos.
- Práticas que teriam inflado artificialmente os resultados financeiros do banco.
- Suspeitas de gestão irregular e esquemas de fraude.
No âmbito da operação, o controlador Daniel Vorcaro foi preso em novembro, sob acusações de fraude e gestão irregular, sendo posteriormente liberado com o uso de tornozeleira eletrônica. As investigações revelaram uma teia complexa de operações que distorciam balanços e mascaravam riscos.
Repasse histórico do Fundo Garantidor de Créditos e tentativas de salvamento
Ao todo, 40,6 bilhões de reais deverão ser repassados aos credores com recursos do Fundo Garantidor de Crédito, em um dos maiores processos do tipo já registrados no Brasil. Antes da decisão final do Banco Central, houve tentativas de evitar o colapso da instituição:
- Uma proposta de aquisição apresentada pelo Banco de Brasília foi barrada pelo regulador, que identificou riscos relevantes no modelo de negócios do Master.
- Uma oferta do Grupo Fictor, anunciada às vésperas da liquidação, também não prosperou, selando o destino da instituição.
Extensão da crise a outras empresas do grupo Master
A crise não se limitou ao Banco Master, estendendo-se a outras empresas do conglomerado. O Banco Central decretou a liquidação de outras instituições, incluindo:
- Letsbank S/A
- Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários
Além disso, foi imposto o Regime Especial de Administração Temporária ao Banco Master Múltiplo S/A. As instituições integravam o Conglomerado Master, classificado como de pequeno porte, com participação de 0,57% dos ativos totais e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional.
Segundo o BC, as medidas foram motivadas por uma grave crise de liquidez, deterioração relevante da situação econômico-financeira e violações às normas que regem o sistema financeiro. As investigações também alcançaram a Reag Investimentos, cujos fundos passaram a ser considerados peça-chave no funcionamento do esquema investigado.
Papel da Reag Investimentos e liquidação extrajudicial
A gestora Reag Investimentos é suspeita de ter viabilizado a criação de empresas de fachada para realizar operações de crédito com fundos sob sua administração. Esses veículos teriam sido usados para:
- Inflar o valor de ativos de forma artificial.
- Pulverizar recursos entre diferentes entidades.
- Mascarar riscos reais e distorcer balanços contábeis.
A liquidação extrajudicial da Reag, decretada pelo Banco Central após a segunda fase da Operação Compliance Zero, é vista por investigadores como um efeito direto do caso Banco Master, ampliando o alcance e a gravidade do episódio. Este desdobramento reforça a complexidade do escândalo financeiro, que envolveu múltiplas camadas de irregularidades e afetou profundamente o mercado.
O caso Master serve como um alerta sobre a importância da regulação prudencial e da transparência no sistema financeiro, destacando os desafios enfrentados por investidores e autoridades em meio a crises de grande magnitude.