BRB descarta risco de intervenção e estuda venda de ativos do Master para reforçar capital
O Banco de Brasília (BRB) descartou categoricamente nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, qualquer possibilidade de intervenção por parte das autoridades reguladoras. Em comunicado oficial, a instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal afirmou possuir suficiência patrimonial para enfrentar os impactos decorrentes das investigações envolvendo o Banco Master.
Medidas para fortalecimento financeiro
Segundo a nota divulgada pelo banco, estão em estudo estratégias para vender ativos recuperados do Banco Master, com o objetivo claro de reforçar a posição financeira da instituição. Essa manifestação ocorreu como resposta a notícias que circulavam sobre uma suposta urgência de aporte de capital no BRB.
O banco deixou claro que eventuais medidas para recomposição de capital só serão avaliadas após a conclusão das auditorias independentes e das análises conduzidas pelo Banco Central. Caso seja necessário, o BRB já dispõe de um plano estruturado para essa recomposição, garantindo que eventuais aportes do acionista controlador não comprometam recursos orçamentários destinados a políticas públicas.
Negativa do Ministério da Fazenda
Mais cedo, o Ministério da Fazenda emitiu uma nota oficial negando que o ministro Fernando Haddad tenha tratado com o governo do Distrito Federal ou com a direção do BRB sobre a necessidade de um aporte imediato de capital, sob risco de intervenção na instituição.
O esclarecimento foi realizado após reportagens indicarem que o ministro teria estabelecido prazos para um possível socorro financeiro ao banco estatal. A Fazenda, no entanto, optou por não comentar sobre eventuais discussões técnicas mantidas com o Banco Central no acompanhamento detalhado do caso.
Auditorias em andamento e situação financeira
O BRB informou que os valores de eventuais prejuízos ainda estão sendo apurados por uma auditoria independente e pelo Banco Central. Por esse motivo específico, o banco não divulgou o balanço referente ao terceiro trimestre, e não existem dados públicos atualizados sobre sua situação financeira atual.
Segundo a instituição, todas as operações relacionadas ao caso estão incluídas em uma investigação forense conduzida por um escritório independente, com acompanhamento rigoroso das autoridades competentes. O banco reforçou que segue operando normalmente e que qualquer número não oficial divulgado publicamente é considerado meramente especulativo.
Relação com o Banco Master e impactos
O BRB foi diretamente afetado pela crise do Banco Master, alvo de investigações por supostas fraudes em carteiras de crédito. De acordo com informações do Banco Central repassadas ao Ministério Público, o banco estatal adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras posteriormente consideradas fraudulentas, que foram substituídas e ainda passam por avaliação minuciosa.
Além disso, o BRB teria injetado mais de R$ 5 bilhões no Master por meio de outras operações, incluindo a compra de cotas de fundos de investimento. A nova administração do banco, que assumiu após a troca de comando no ano passado, está tentando dimensionar com precisão o impacto dessas operações realizadas ao longo de 2024 e 2025.
Problemas de enquadramento regulatório
As operações com o Master levaram o BRB a descumprir temporariamente limites prudenciais exigidos pelo Banco Central. O banco ficou desenquadrado por pelo menos dois meses, em janeiro e fevereiro de 2025.
Como consequência direta, o BC determinou a limitação de novas aquisições de ativos financeiros e a elaboração de um plano de solução no prazo de seis meses, a contar de outubro do ano passado. Apesar desse cenário desafiador, a possibilidade de injeção de recursos do Governo do Distrito Federal aumenta significativamente a capacidade do BRB de enfrentar a crise.
O banco, no entanto, afirma com veemência que não recebeu qualquer determinação formal do Banco Central para realizar um aporte imediato de capital.