Brasil não pode paralisar 2026 por conta de eleições, alerta presidente da Febraban
Em artigo publicado na revista VEJA Negócios, o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, fez um alerta contundente: o Brasil não pode permitir que o ano de 2026 seja desperdiçado com paralisia política devido ao calendário eleitoral. Segundo ele, adiar decisões estruturais até 2027 seria um erro estratégico com custos elevados para o futuro do país.
Ritual eleitoral não pode justificar imobilismo econômico
Quem acompanha de perto a dinâmica de Brasília conhece bem o fenômeno: anos eleitorais frequentemente se transformam em períodos de estagnação, onde avanços importantes são postergados e reformas essenciais são adiadas. No entanto, Sidney argumenta que 2026 não deve repetir esse ritual prejudicial. Transformar o processo eleitoral em uma desculpa para a inação é um luxo que a economia brasileira simplesmente não pode mais se dar ao luxo de ter.
O ciclo de crescimento moderado do Brasil – projetado em torno de 2,3% do PIB em 2025 e entre 1,5% e 2% em 2026 – continua sendo sustentado principalmente pelo consumo imediato, em vez de investimentos robustos e ganhos de produtividade. Esse modelo tem um preço alto, alerta o presidente da Febraban, e exige mudanças estruturais urgentes.
Melhorias recentes não eliminam necessidade de reformas profundas
Embora reconheça avanços importantes na economia brasileira, como a redução do déficit primário, níveis baixos de desemprego, dinamismo no mercado de trabalho e inflação sob controle, Sidney destaca que problemas fundamentais persistem:
- Política fiscal ainda expansionista
- Trajetória sensível do endividamento público
- Juros estruturais elevados
- Ambiente de negócios aquém do potencial para atrair investimentos
Essa combinação, segundo ele, resulta em mais gastos públicos e menos investimentos privados. Com oferta restrita, pressiona a dinâmica inflacionária e obriga o Banco Central a manter taxas de juros mais altas do que o desejável.
Atração de investimento privado é crucial para crescimento sustentável
Um dos pontos centrais do artigo é a constatação de que o setor público perdeu a capacidade de liderar sozinho o ciclo de crescimento econômico. O Brasil precisa desesperadamente de investimento privado – robusto, contínuo e de longo prazo. Para atrair esse capital, são necessárias:
- Maior previsibilidade e estabilidade política
- Segurança jurídica reforçada
- Rigor fiscal ainda maior
- Ambiente econômico mais convidativo aos negócios
Sidney alerta que "é imprudente deixar tudo em suspenso por campanhas e palanques". Em um mundo cada vez mais incerto e volátil, o Brasil precisa se blindar contra crises futuras que podem surgir sem aviso prévio, travando o crédito e elevando os riscos econômicos.
2026 como ano decisivo para ajustes estruturais
O presidente da Febraban defende que 2026 deve ser o ano para:
- Continuar ajustando o nível de endividamento público
- Destravar reformas microeconômicas pendentes
- Aproveitar o alívio do processo de desinflação conduzido pelo Banco Central
- Reduzir expressivamente a taxa Selic, cujo nível atual sacrifica consumo, investimento e produção
O setor bancário brasileiro, segundo Sidney, enxerga a economia do país com grande potencial e está preparado para financiar projetos transformadores. No entanto, isso exige um ambiente institucional que favoreça esses investimentos.
Chamado à responsabilidade e maturidade institucional
O artigo conclui com um apelo por responsabilidade e maturidade institucional. Forças políticas e empresariais precisam superar diferenças e construir um consenso mínimo em torno de uma agenda estrutural que inclua:
- Ajuste fiscal mais profundo
- Recuperação da capacidade de investimento
- Aceleração dos ganhos de produtividade
- Reconstrução do ambiente de negócios
A decisão, segundo Isaac Sidney, é coletiva: desperdiçar 2026 com paralisia política ou aproveitá-lo como uma oportunidade crucial para avançar nas reformas que o Brasil tanto precisa. Esperar até 2027 não deveria interessar a ninguém, seja no governo ou na oposição, conclui o presidente da Febraban.