Herdeiro colombiano desmente envolvimento com o Santos e expõe riscos do futebol
Em uma rara entrevista concedida após dez anos de silêncio público, o bilionário colombiano Alejandro Santo Domingo negou categoricamente qualquer participação em negociações para a compra do Santos Futebol Clube. Com uma fortuna estimada em cerca de 3,3 bilhões de dólares, o herdeiro de um dos maiores impérios empresariais da Colômbia classificou os rumores como "fake news" e revelou os motivos que o afastam de investir em clubes de futebol.
Negociações inexistentes e uso indevido do nome
Santo Domingo foi enfático ao afirmar que nem ele nem sua família estão envolvidos em qualquer processo relacionado ao Santos. "Não participamos de nenhum processo relacionado ao Santos. Não estamos envolvidos de forma alguma", declarou o investidor, que comanda os negócios globais da família em gigantes como AB InBev, TV Caracol e NFL.
O empresário alertou sobre o uso indevido de seu nome familiar, explicando que investem exclusivamente através de duas plataformas oficiais: Valorem, na Colômbia, e Quadrant Capital Advisors, em Nova York. "Existe uma empresa por aí que usa um nome que faz referência à nossa família, mas ela não faz parte do nosso grupo", esclareceu.
O fantasma do rebaixamento que assusta investidores
Apesar de ter histórico de investimentos no setor esportivo, Santo Domingo revelou que evita clubes de futebol devido ao risco de rebaixamento. Ele detalhou que já analisou oportunidades em clubes europeus de prestígio como Chelsea, Tottenham Hotspur e Olympique Lyonnais, mas nunca avançou com os investimentos.
"Porque, do ponto de vista de investimento, o futebol tem um risco importante: o rebaixamento. Quando analisamos investimentos, não fazemos isso como hobby", explicou o bilionário. "Se você paga um determinado valor por um clube e ele acaba rebaixado, o retorno do investimento pode desaparecer completamente."
Preferência por ligas norte-americanas
O investidor destacou que prefere ligas como a National Football League (NFL) e a National Basketball Association (NBA), onde não existe o mecanismo de rebaixamento. "Isso torna o investimento muito mais previsível. Você consegue avaliar melhor o risco e o retorno", afirmou, citando seu investimento no time de futebol americano Washington Commanders como exemplo bem-sucedido.
Sobre o futebol latino-americano especificamente, Santo Domingo foi ainda mais direto: "Em geral, é muito difícil estruturar um investimento em ligas latino-americanas por causa desse risco de rebaixamento. Quando você faz um modelo financeiro e precisa assumir que o clube pode cair de divisão dentro de cinco anos, isso destrói completamente o valor do ativo."
Família não envolvida e falta de contato com o Santos
O bilionário também esclareceu que sua cunhada, Lauren Santo Domingo, que tem investimentos próprios no setor de moda, não está envolvida em qualquer negociação com o Santos. "Ela tem seus próprios projetos e o seu próprio modo de operar. Mas isso não tem relação com o nosso capital nem com o nosso grupo de investimentos", afirmou.
Questionado sobre possíveis contatos com o clube brasileiro, Santo Domingo foi categórico: "Não. Ninguém da nossa equipe de investimentos teve qualquer contato com o Santos ou com alguém relacionado a esse assunto."
Paixão pelo futebol não se traduz em investimentos
Apesar de confessar ser um entusiasta do futebol e ter até um time pelo qual torce na Colômbia, o investidor fez uma distinção clara entre paixão pessoal e decisões de investimento. "Gostar de algo não significa que vamos investir nisso. Não investimos em coisas que amamos. Investimos em coisas que acreditamos ter bons retornos", finalizou, deixando claro que, para sua família, os negócios seguem critérios rigorosos de rentabilidade e segurança financeira.
