Varejo brasileiro projeta crescimento nominal até maio, mas perde força com inflação
As vendas do varejo no Brasil devem registrar um crescimento nominal entre os meses de março e maio, de acordo com o Índice Antecedente de Vendas (IAV), elaborado pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV). A projeção indica uma alta de 7,3% em março, 2,7% em abril e 2,3% em maio, na comparação anual, após um avanço de 2,3% observado em fevereiro.
Desempenho real mais fraco devido à inflação
No entanto, quando considerado o ajuste pela inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o desempenho do setor apresenta-se mais modesto. Há expectativa de uma alta real de apenas 3,8% em março, seguida por quedas de 0,8% em abril e 1,2% em maio. Isso reverte parcialmente a retração de 1,5% registrada em fevereiro, mas evidencia um cenário de atividade moderada e incertezas no ambiente macroeconômico.
Segundo o presidente do IDV, Jorge Gonçalves Filho, o consumo foi recentemente favorecido pela melhora na intenção de compra das famílias. Contudo, ele alerta que esse impulso pode perder força diante de pressões inflacionárias persistentes e de uma possível redução mais lenta da taxa básica de juros, influenciada por tensões geopolíticas em curso.
Base das projeções e representatividade do índice
As projeções do Índice Antecedente de Vendas são fundamentadas nas expectativas de faturamento informadas por empresas associadas ao IDV. Essas empresas representam aproximadamente 20% das vendas totais do varejo nacional, oferecendo uma visão significativa sobre as tendências do setor.
O resultado reflete um momento de cautela para os consumidores e varejistas, com a inflação continuando a corroer os ganhos nominais. A análise destaca a importância de monitorar tanto os números brutos quanto os ajustados, para uma compreensão mais completa da saúde econômica do varejo brasileiro.



