EUA: tribunal suspende decisão contra tarifa de 10% de Trump
Tribunal suspende decisão contra tarifa de Trump

Um tribunal de apelações dos Estados Unidos suspendeu temporariamente, nesta terça-feira (12), uma decisão de instância inferior contra a tarifa global de 10% imposta pela administração do presidente Donald Trump, com base na Seção 122 da Lei de Comércio. Com a medida, as tarifas continuam em vigor, inclusive para três importadores que haviam obtido na Justiça a suspensão das taxas, conforme informações da agência Reuters.

Decisão judicial anterior

Na semana passada, a Corte de Comércio Internacional dos EUA havia considerado ilegal a tarifa global de 10% aplicada sobre importações. Por 2 votos a 1, os juízes entenderam que Trump não tinha autoridade legal para impor esse aumento amplo nas taxas usando a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. Contudo, os efeitos da decisão ficaram restritos apenas aos autores da ação: duas pequenas empresas americanas e o estado de Washington.

Recurso e suspensão

Após a derrota, o governo Trump recorreu. Agora, o tribunal de apelações suspendeu temporariamente o entendimento da corte inferior e manteve as tarifas em vigor enquanto o caso continua sendo analisado.

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Contexto das tarifas

A tarifa de 10% foi criada por Trump em fevereiro, depois de outra derrota judicial importante. Na ocasião, a Suprema Corte dos EUA decidiu que o presidente havia extrapolado seus poderes ao impor tarifas globais usando uma lei de emergência nacional de 1977. Os ministros afirmaram que apenas o Congresso americano pode aprovar tarifas amplas sobre produtos importados.

Diante disso, Trump mudou de estratégia e passou a usar a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 como base legal para manter as taxas. O governo argumenta que as tarifas são necessárias para combater desequilíbrios comerciais dos EUA. Já os críticos apontam que a lei não foi criada para permitir um tarifaço amplo sobre importações.

Prazo e tensões comerciais

As tarifas atuais têm caráter temporário e devem expirar em 24 de julho, caso não sejam prorrogadas pelo Congresso americano. A disputa ocorre em meio às tensões comerciais entre Estados Unidos e China, poucos dias antes de uma reunião prevista entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim.

Impacto financeiro

Além da batalha judicial, o tarifaço também gerou uma disputa bilionária. Segundo estimativas da Universidade da Pensilvânia, empresas afetadas pelas tarifas podem pedir reembolsos que chegariam a US$ 175 bilhões, além de juros. Até abril, cerca de 56,5 mil importadores já haviam concluído etapas para receber reembolsos eletrônicos, totalizando US$ 127 bilhões, segundo dados da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA.

Parlamentares democratas têm pressionado empresas para que eventuais devoluções sejam usadas para reduzir preços aos consumidores, e não para recompras de ações ou bônus a executivos.

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