Nike em queda livre: ações despencam ao menor valor em 10 anos após projeção de vendas em baixa
A Nike enfrentou uma queda histórica em suas ações nesta quarta-feira, com uma desvalorização de 15,5% que levou o papel ao menor preço de fechamento desde outubro de 2014. A reação negativa do mercado ocorreu mesmo após a empresa reportar resultados do terceiro trimestre fiscal que superaram expectativas de lucro e receita, mas projetaram uma queda nas vendas para os próximos meses.
Resultados mistos: lucro acima do esperado, mas projeções preocupantes
A companhia registrou lucro por ação de 35 centavos, superando a expectativa de 29 centavos projetada pelos analistas. A receita totalizou US$ 11 bilhões, mantendo-se praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, o otimismo com esses números foi rapidamente dissipado quando a Nike alertou que espera uma queda de 2% a 4% nas vendas no quarto trimestre fiscal, abaixo da projeção de aumento de 1,9% prevista pelo mercado.
O desempenho financeiro refletiu desafios em múltiplas frentes:
- Impactos de tarifas mais altas na América do Norte reduziram a margem bruta em 130 pontos-base
- A receita direta ao consumidor caiu 4%, principalmente devido a fraqueza nas lojas próprias e no segmento digital
- A marca Converse teve desempenho especialmente fraco, com receita em queda de 35%
Recuperação desigual e pressões regionais
A recuperação da Nike não é uniforme em todas as regiões. Enquanto a América do Norte e as regiões da Europa, Oriente Médio e África apresentaram crescimento moderado de 2% a 3%, a Ásia-Pacífico e a América Latina avançaram apenas 1%. Esta disparidade geográfica tem preocupado investidores e analistas, que veem a recuperação da gigante do esporte como mais lenta do que o esperado.
Executivos da empresa reconheceram os desafios: "Enquanto nossa recuperação está levando mais tempo do que gostaríamos, estamos confiantes de que estamos no caminho certo", afirmou Matthew Friend, destacando que o progresso varia significativamente de acordo com a região e o portfólio de produtos.
Custos de reestruturação e fatores externos
Parte significativa da pressão sobre os resultados se deve a encargos de US$ 230 milhões com demissões realizadas ao longo dos últimos nove meses, concentradas principalmente nas áreas de tecnologia e cadeia de suprimentos. A Nike espera que esses cortes contribuam para redução de custos no futuro, mas o impacto imediato tem sido sentido no balanço trimestral.
Além dos desafios internos, a empresa alerta que fatores externos continuam a representar riscos:
- Aumento do preço do petróleo
- Instabilidade geopolítica no Oriente Médio
- Pressões macroeconômicas persistentes
Apesar do cenário desafiador, alguns segmentos estratégicos mostram sinais positivos, como calçados de corrida e produtos relacionados à Copa do Mundo de Futebol, indicando que a empresa mantém áreas de potencial crescimento mesmo em meio às dificuldades.
Reação do mercado e revisão de projeções
O mercado reagiu de forma extremamente negativa às notícias, levando a ação da Nike a fechar a US$ 44,62, seu menor valor desde outubro de 2014. Analistas financeiros revisaram imediatamente suas projeções:
- Truist Securities reduziu o preço-alvo de US$ 69 para US$ 57, mantendo recomendação de compra
- Goldman Sachs, JPMorgan e Bank of America rebaixaram as ações para recomendação neutra
Segundo Joseph Civello, da Truist Securities, "o progresso da recuperação da Nike continua irregular e as ações devem permanecer em zona de penalidade nos próximos meses, mas com base redefinida mais baixa, há potencial para recuperação futura".
Caminho à frente e expectativas dos investidores
A companhia promete apresentar nova orientação para o ano fiscal completo durante um dia do investidor programado para o outono, quando detalhará suas iniciativas de melhoria e ajustes estratégicos. Enquanto isso, os investidores seguem monitorando de perto a execução do plano de turnaround liderado por Elliott Hill, que retornou à companhia em outubro de 2024 para conduzir a reestruturação.
O cenário atual para a Nike combina desafios operacionais com pressões macroeconômicas e geopolíticas, criando um ambiente de incerteza que tem mantido os investidores cautelosos. A capacidade da empresa de reverter a tendência negativa dependerá não apenas da execução eficiente de seu plano de reestruturação, mas também da evolução da demanda em mercados-chave e da superação dos obstáculos externos que continuam a afetar o setor.



