Ibovespa dispara 1,77% com foco em juros e conflito no Oriente Médio; dólar cai 1%
Ibovespa sobe 1,77% com olho em juros e Oriente Médio; dólar cai

Ibovespa dispara 1,77% em meio a expectativas sobre juros e conflito no Oriente Médio

O principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, abriu o pregão desta segunda-feira, 16 de março de 2026, em forte alta, registrando uma variação positiva de 1,77% por volta das 11h30. O movimento ocorre apesar da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã entrar em sua terceira semana, com investidores colhendo retornos em um clima de alívio moderado nos mercados financeiros.

Decisões de juros e impacto do conflito no Oriente Médio

Os investidores estão atentos principalmente às decisões sobre juros que ocorrem nos Estados Unidos e no Brasil na quarta-feira, 18 de março, uma data conhecida como "super quarta" devido à sobreposição de deliberações de política monetária. A situação no Oriente Médio tem impactado diretamente as apostas do mercado financeiro para a queda dos juros no Brasil.

As dificuldades logísticas na região, especialmente no Estreito de Ormuz, têm efeito inflacionário, elevando principalmente o preço do petróleo no mundo. O petróleo tipo Brent, referência de preço para a commodity, disparou da casa dos 70 dólares por barril para mais de 105 dólares por barril nas últimas duas semanas. Na manhã desta segunda-feira, no entanto, a cotação caiu cerca de 2,5%, para 100 dólares por barril.

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Expectativas de inflação e Selic

O Boletim Focus divulgado hoje mostrou que economistas ouvidos pelo Banco Central elevaram suas expectativas sobre a inflação anual de 3,91% para 4,10%, distanciando-se ainda mais da meta de 3% perseguida pela autoridade monetária. Como consequência, o prognóstico sobre a variação da taxa básica de juros, a Selic, também apresentou uma deterioração.

Os analistas ouvidos pela Focus agora apontam para uma Selic de 12,25% ao final deste ano, contra uma expectativa de 12,13% na semana anterior. A maioria dos agentes de mercado crê em um corte de apenas 0,25 ponto percentual nos juros na deliberação de quarta-feira, enquanto antes da eclosão da guerra no Irã, o corte era estimado em 0,50 ponto percentual.

Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, o maior nível desde 2006. Caso a expectativa dos investidores se confirme, a taxa cairia para 14,75% ao ano, mantendo-se em um patamar bastante restritivo.

Dados econômicos e mercado internacional

No plano doméstico, o índice do Banco Central que mede a atividade econômica do país (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto, apresentou uma variação positiva de 0,78% em janeiro, abaixo do esperado pelos analistas. O dado sugere que a política monetária vigente tem auxiliado no resfriamento da economia.

No mercado americano, as bolsas também operam em alta neste início de semana. A Nasdaq sobe cerca de 1,13% por volta das 11h30, enquanto o índice S&P 500 registra alta de 0,92%. O mercado internacional apresenta um clima de alívio moderado em relação ao conflito no Oriente Médio e à cotação do petróleo.

"Ao longo do final de semana, a gente acompanhou um fluxo de notícia muito mais morno, muito mais ameno, e de certa forma até positivo, em relação principalmente ao escoamento do petróleo pelos canais do Oriente Médio", diz Bruno Yamashita, coordenador de alocação da corretora Avenue, especializada em investimentos dolarizados.

Queda do dólar ante o real

Como reflexo desse clima, o dólar apresenta forte queda ante o real nesta segunda-feira. A moeda americana recua cerca de 1%, cotada a 5,27 reais, demonstrando uma desvalorização significativa em relação ao período anterior.

O movimento conjunto do Ibovespa em alta e do dólar em queda ilustra um momento de otimismo cauteloso entre os investidores, que equilibram as expectativas de cortes de juros com os riscos inflacionários provenientes do conflito no Oriente Médio e das oscilações no preço do petróleo.

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