Superquarta impacta mercados: Ibovespa cai e dólar sobe após decisões do Fed e Copom
Ibovespa cai e dólar sobe em Superquarta com Fed e Copom

Superquarta movimenta mercados financeiros com decisões monetárias nos EUA e Brasil

Esta quarta-feira, 18 de março de 2026, ficou marcada como uma Superquarta no cenário financeiro global, com reuniões simultâneas do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos e do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no Brasil. Os desdobramentos desses encontros resultaram em uma leve desvalorização do Ibovespa e em uma significativa alta do dólar, refletindo a cautela dos investidores diante das novas orientações de política monetária.

Decisão do Fed mantém juros, mas tom de Powell impulsiona dólar

O Federal Reserve decidiu manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,50% e 3,75%, alinhando-se às expectativas do mercado. No entanto, o comunicado da autoridade monetária e, principalmente, as declarações do presidente Jerome Powell, adotaram um tom mais firme, o que surpreendeu os agentes econômicos.

Powell reforçou que, "se não houver progresso na inflação, não haverá corte de juros", indicando que o processo desinflacionário ainda não atingiu o ritmo desejado. Essa postura, interpretada como "hawkish" (mais agressiva contra a inflação), levou a uma reprecificação das expectativas e fez o dólar disparar, encerrando o dia com valorização de mais de 1%, cotado a R$ 5,25.

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"A comunicação foi interpretada como mais hawkish, levando a uma abertura da curva de juros nos EUA e a uma reprecificação das expectativas de política monetária", analisa Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Copom reduz Selic, mas bancos pressionam Ibovespa para baixo

No cenário doméstico, o Copom decidiu cortar a taxa Selic em 0,25 pontos percentuais, estabelecendo-a em 14,75% ao ano. A medida, já antecipada pelos analistas, foi tomada com cautela, refletindo preocupações com a trajetória futura dos cortes.

O Ibovespa, principal índice da B3, sentiu o peso dessas decisões e do contexto geopolítico. O índice fechou em queda de 0,43%, recuando para os 179,6 mil pontos. Entre os fatores que contribuíram para essa desvalorização estão:

  • Alta do petróleo: O barril de petróleo brent valorizou 7,38%, cotado por volta de US$ 111, devido à escalada do conflito no Oriente Médio e ao fechamento do Estreito de Ormuz, que elevou a aversão ao risco nos mercados globais.
  • Desempenho negativo dos bancos: As ações dos grandes bancos tiveram quedas expressivas, liderando as perdas no índice.
    1. Santander (SANB11): -1,50%
    2. Bradesco (BBDC4): -1,17%
    3. Banco do Brasil (BBAS3): -1,10%
    4. Itaú (ITUB4): -1,01%

Cenário econômico e perspectivas para os mercados

O Fed destacou em seu comunicado que a atividade econômica dos Estados Unidos segue em expansão a "um ritmo sólido", com o mercado de trabalho mostrando resiliência e a taxa de desemprego estável. No Brasil, a decisão do Copom ocorre em um ambiente de incertezas, onde a autoridade monetária busca equilibrar o controle inflacionário com o estímulo ao crescimento.

A Superquarta evidenciou a interconexão dos mercados globais, onde decisões em Washington reverberam imediatamente em São Paulo. A combinação de um Fed cauteloso, um Copom moderado e tensões geopolíticas criou um dia volátil, com o dólar fortalecido e o Ibovespa cedendo terreno, especialmente pressionado pelo setor bancário e pela commodity energética.

Os investidores agora monitoram de perto os próximos comunicados e dados econômicos para ajustar suas estratégias, em um cenário onde a política monetária e os eventos internacionais continuam a ditar o ritmo dos ativos financeiros.

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