O dólar registrou uma valorização de 0,57% nesta sexta-feira, dia 13, encerrando a semana com uma cotação de R$ 5,229. O movimento ocorreu enquanto investidores analisavam atentamente os dados de inflação divulgados pelos Estados Unidos, que apresentaram números mais fracos do que as expectativas do mercado.
Impacto do Índice de Preços ao Consumidor
O CPI, sigla em inglês para Índice de Preços ao Consumidor, mostrou que os preços subiram apenas 0,2% no mês passado, ficando abaixo da projeção de 0,3%. Nos últimos doze meses até janeiro, a inflação anual ficou em 2,4%, uma desaceleração em relação aos 2,7% registrados em dezembro. Essa redução refletiu principalmente a saída dos valores mais elevados do cálculo anual.
A divulgação do relatório foi levemente adiada devido a uma paralisação de três dias do governo federal na semana anterior. Interrupções mais longas no ano passado já haviam afetado a coleta de preços para outubro, gerando volatilidade nos dados. Economistas esperavam que essa instabilidade diminuísse no relatório de janeiro.
Repercussão nos Mercados Financeiros
Os números do CPI levaram o mercado a recalibrar suas apostas sobre a trajetória futura dos juros americanos. A moeda norte-americana enfrentou uma sessão volátil em nível global, mas conseguiu firmar estabilidade diante de uma cesta de seis moedas fortes no final da tarde.
Enquanto isso, a Bolsa de Valores brasileira fechou em queda de 0,69%, atingindo 186.464 pontos. O desempenho negativo foi pressionado principalmente pela Vale, após a divulgação de seu balanço financeiro na quinta-feira. Perdas significativas no setor bancário também contribuíram para a desvalorização do Ibovespa, com destaque para o Bradesco (1,22%), Itaú (0,97%), Santander (2,15%) e Banco do Brasil (2,3%).
Análise dos Especialistas
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, comentou que "os mercados operaram mistos nesta sexta, mas em um tom predominantemente negativo, impulsionado pela reação ao CPI de janeiro nos EUA". Ela destacou que, apesar de os números serem benignos, não foram suficientes para frear a rotação setorial contra empresas de tecnologia e commodities.
O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, prefere monitorar o PCE, Índice de Preços para Despesas de Consumo Pessoal, que fechou janeiro com alta de 2,8%. Tanto o PCE quanto o CPI permanecem acima da meta de inflação de 2% estabelecida pela autoridade monetária.
Decisões de Política Monetária
A decisão sobre os juros também é influenciada pelos dados do mercado de trabalho. O relatório payroll mostrou que o crescimento do emprego acelerou em janeiro acima do esperado, com a taxa de desemprego caindo para 4,3%, ante 4,4% em dezembro.
O Fed manteve os juros inalterados na faixa de 3,5% a 3,75% na reunião de janeiro, afirmando que a taxa está "bem posicionada" para responder aos desafios econômicos. O presidente Jerome Powell declarou que as próximas decisões serão tomadas caso a caso, sem um caminho predefinido.
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, afirmou que "os números do mês que vem devem dar mais clareza sobre o cenário e ajudar a balizar a próxima decisão de política monetária". Sua expectativa é que os juros sejam mantidos no intervalo atual na reunião de março.
Perspectivas para o Dólar e a Economia
Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX, observou que os dados indicam uma queda da inflação em ritmo mais rápido do que o esperado pelos investidores. Embora a perspectiva majoritária seja de manutenção dos juros em março, essas informações abrem espaço para que o Fed realize cortes antes de julho.
Essa possibilidade tende a enfraquecer o dólar, já que juros mais altos nos Estados Unidos atraem investidores globais em busca de rentabilidade praticamente livre de risco. No Brasil, os agentes financeiros mantêm o feriado prolongado de Carnaval no horizonte, com os mercados fechados até quarta-feira, dia 18.
Muitos investidores estão realizando operações de hedge no dólar para se proteger contra a volatilidade e manter parte do capital em segurança. Dados abaixo do esperado dos setores de serviços e varejo também exerceram pressão negativa sobre o câmbio, reforçando sinais de desaceleração econômica no início do ano.
Resultados da Vale e Pressão na Bolsa
O balanço financeiro da Vale revelou que o lucro da mineradora caiu 56% em 2025, totalizando R$ 13,8 bilhões. A empresa atribuiu esse resultado ao aumento de provisões no fim do ano e a questões contábeis. No quarto trimestre, a Vale registrou prejuízo de R$ 21 bilhões, mas, sem considerar efeitos extraordinários, o lucro subiu 5%, para R$ 43,5 bilhões.
Gustavo Pimenta, presidente da companhia, destacou que "em 2025, a Vale entregou um desempenho excepcional, atingindo ou superando todas as metas enquanto avançou em prioridades estratégicas". Apesar disso, as ações da empresa caíram 2,46%, pressionando o Ibovespa para baixo.
Christian Iarussi, sócio da The Hill Capital, explicou que a desaceleração da atividade econômica "pesa sobre ações mais ligadas ao ciclo doméstico e abre espaço para realização de lucros após a alta recente do Ibovespa". Essa perspectiva também sustenta projeções de corte de 0,5 ponto percentual na taxa Selic no próximo encontro do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central.