Comissão da Câmara ainda não tem data para retomar audiências sobre nova Lei dos Portos
Sem data para retomar audiências sobre nova Lei dos Portos

Comissão da Câmara ainda não tem data para retomar audiências sobre nova Lei dos Portos

A Comissão Especial da Câmara dos Deputados responsável por analisar o Projeto de Lei 733/2025, que propõe uma revisão completa do marco legal do sistema portuário brasileiro, ainda não estabeleceu uma data concreta para o retorno das audiências públicas. A última sessão ocorreu no dia 3 de dezembro, imediatamente antes do início do recesso parlamentar no Congresso Nacional.

Progresso e desafios na tramitação

Desde o início dos trabalhos da comissão, em julho do ano passado, foram realizadas 20 das 40 audiências públicas previstas. Nesse período, 75 convidados foram ouvidos e 45 propostas foram submetidas a votação. Em entrevista exclusiva, o deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), presidente da Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos e um dos vice-presidentes da comissão, reconheceu os avanços conquistados, mas enfatizou que o texto legislativo ainda necessita de ajustes significativos.

"Tivemos um bom progresso, mas ainda não temos um texto sólido o suficiente para levar à votação", afirmou Barbosa. O parlamentar destacou que a busca por um consenso amplo é fundamental, uma vez que a proposta impacta diretamente milhares de trabalhadores portuários em todo o território nacional. "Precisamos chegar o mais perto possível da unanimidade e aparar todas as arestas para não prejudicar, de maneira alguma, os trabalhadores", declarou.

Principais pontos em debate

Entre os temas centrais em discussão está a desburocratização das operações portuárias. Barbosa defende a modernização da legislação vigente para acompanhar o crescimento exponencial da movimentação de cargas nos portos brasileiros. "Nosso propósito é elaborar um projeto que estimule o desenvolvimento dos portos, atraia investimentos, mas que, ao mesmo tempo, proteja os empregos", explicou.

Segundo o deputado, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, deve propor uma nova rodada de conversas com representantes do setor privado e lideranças do Congresso, embora ainda sem uma data definida. "A expectativa é concluir os trabalhos ainda este ano, embora o calendário dependa dessas articulações", disse.

Volume de contribuições e necessidade de diálogo

Barbosa ressaltou que o volume expressivo de contribuições recebidas reforça a necessidade de ampliar o diálogo, especialmente com os trabalhadores do setor. "Foram mais de 400 emendas apresentadas na Comissão do Trabalho, e 90% delas vieram de trabalhadores do setor portuário. É nítido que precisamos conversar mais com a categoria", destacou.

Para o parlamentar, o momento atual é de "afinar o texto" para que a versão final seja a mais equilibrada possível, garantindo tanto a eficiência operacional quanto a proteção dos direitos laborais.

Tramitação e possíveis cenários

Embora o projeto possa ser aprovado diretamente na comissão especial, existe a possibilidade de a proposta ser encaminhada ao plenário da Câmara para discussão mais ampla. Barbosa acredita que um texto mais ajustado tende a reduzir a necessidade de novas negociações em etapas posteriores. "Devemos começar a desburocratizar já no processo de discussão e votação do PL 733", pontuou.

O deputado também descartou qualquer influência do calendário eleitoral de 2026 no andamento dos trabalhos. "De maneira alguma o período eleitoral pode atrapalhar as discussões. Seguiremos empenhados para aprovar o projeto com agilidade, mas sem precipitação", afirmou.

Risco de arquivamento e reformulações

Diante das discussões sobre o risco de arquivamento do projeto — com o Ministério de Portos e Aeroportos e a Agência Nacional de Transportes Aquaviário (Antaq) defendendo ajustes na Lei Federal 12.815/2013, em vez da criação de uma nova Lei dos Portos —, Barbosa admitiu que reformulações podem ser priorizadas. "Nosso objetivo é criar o texto mais apropriado para o futuro dos portos, sem comprometer o trabalho de quem já atua neles", declarou.

Questionado sobre a possibilidade de um veto do Executivo ao PL 733/2025, caso a proposta seja aprovada, o deputado minimizou o risco e citou o diálogo constante com o governo. "Estamos envolvendo trabalhadores, Governo e sociedade nos debates para que, ao final, já estejamos todos alinhados quanto à tramitação final e eventual sanção".

Detalhes do projeto e próximos passos

Com 151 artigos, o PL 733/2025 é de autoria do deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA) e replica o anteprojeto elaborado por uma comissão de juristas constituída pela Câmara Federal. O texto propõe uma nova legislação abrangente para o setor portuário nacional.

A Comissão Especial tem a prerrogativa de aprovar o projeto e remetê-lo diretamente ao Senado Federal, caso não haja pedido formal para discussão em plenário. Se sancionada, a nova Lei dos Portos substituirá integralmente a Lei 12.815/2013, atualmente em vigor.

O presidente da comissão, deputado Murilo Galdino (Republicanos-PB); o relator, deputado Arthur Maia (União-BA); e o autor do PL, deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA), não se manifestaram até o fechamento desta edição.