A ofensiva de empresas estrangeiras sobre depósitos de terras raras no Brasil ganhou novo impulso após a entrada de capital americano em um dos principais ativos do setor. A Viridis Mining and Minerals, que desenvolve projetos em Minas Gerais, passou a ser vista como uma das próximas apostas do mercado depois que a USA Rare Earth fechou a compra da Serra Verde, em Goiás, por cerca de US$ 2,8 bilhões (R$ 14 bilhões). O negócio marca uma mudança de escala na disputa global por minerais estratégicos usados na transição energética e reposiciona o Brasil como peça relevante na tentativa de reduzir a dependência da China, que hoje domina a cadeia de processamento desses insumos.
Efeito imediato sobre projetos australianos
A valorização de ativos ligados a terras raras fora da Ásia teve efeito direto sobre empresas em estágio pré-operacional, como a própria Viridis. Com presença em Minas Gerais, a companhia trabalha no desenvolvimento de depósitos com potencial para produzir terras raras pesadas, mais escassas e valorizadas no mercado internacional. Analistas do setor avaliam que o movimento americano sobre a Serra Verde funcionou como uma espécie de “sinal verde” para novos aportes estrangeiros no Brasil. A expectativa é de uma nova rodada de fusões, aquisições e parcerias, com empresas australianas entre as mais ativas nesse processo.
Entrada dos EUA muda o jogo
A aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth envolve a mina de Pela Ema, em operação desde 2024, e considerada um dos poucos projetos fora da Ásia capazes de produzir em escala elementos como neodímio e praseodímio, essenciais para ímãs permanentes. Esses materiais são fundamentais para a fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas e uma série de tecnologias ligadas à descarbonização da economia. Ao garantir acesso a esse tipo de produção, os Estados Unidos avançam na estratégia de diversificar fornecedores e reduzir riscos geopolíticos.
Brasil entra no radar estratégico
Com uma das maiores reservas de terras raras do mundo, o Brasil ainda está no início da exploração comercial desses recursos. Hoje, a Serra Verde é o único projeto em operação em larga escala no país. A movimentação recente, no entanto, indica uma mudança de percepção. O país passa a ser visto como alternativa concreta para suprir a demanda crescente por minerais críticos, especialmente em um cenário de expansão acelerada da energia limpa.
Desafio vai além da mineração
Apesar do avanço, especialistas apontam que o principal gargalo está na industrialização. A cadeia de valor das terras raras envolve etapas complexas de separação e processamento químico, dominadas pela China. A estratégia anunciada pela USA Rare Earth inclui justamente o desenvolvimento dessa cadeia fora da Ásia, o que pode abrir espaço para investimentos industriais também no Brasil.
Nova disputa global
A combinação entre a entrada americana e o avanço de empresas australianas como a Viridis Mining and Minerals indica que o país está no centro de uma nova disputa internacional por recursos estratégicos. A tendência é de aumento da presença estrangeira no setor, em um momento em que a demanda global por terras raras cresce de forma consistente. Para o Brasil, o desafio será transformar esse interesse em ganhos de longo prazo, evitando a dependência de exportações de baixo valor agregado e ampliando sua participação nas etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva.



