A União Europeia está se preparando para uma resposta econômica extrema e sem precedentes contra os Estados Unidos, em reação às ameaças de novas tarifas feitas pelo ex-presidente Donald Trump. A tensão comercial ameaça abalar a maior parceria bilateral do planeta, que movimentou mais de 1,5 trilhão de euros em 2024.
Críticas e Solidariedade no Bloco Europeu
As declarações de Trump foram classificadas como "completamente equivocadas" pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. Ele afirmou que usar tarifas para ameaçar aliados não é a maneira correta de resolver problemas dentro de uma aliança. Questionado sobre retaliações, Starmer foi enfático: "uma guerra tarifária não é do interesse de ninguém".
Ministros das finanças europeus, reunidos em Bruxelas, ecoaram as críticas. O representante holandês chamou a decisão americana de "irresponsável", enquanto o francês exigiu uma reação rápida e potente do bloco. O ministro alemão foi direto ao afirmar que a UE não aceitará chantagens e que possui uma série de medidas de retaliação possíveis.
A solidariedade se estendeu a países como Portugal e Espanha, que não foram alvos diretos iniciais. A defesa firme se deve a um efeito cascata: as tarifas punitivas contra alguns membros acabam por impactar toda a complexa economia integrada do bloco europeu.
O Plano de Retaliação: 93 Bilhões e a "Bazuca"
Diante da escalada, os líderes europeus marcaram uma reunião de emergência para quinta-feira em Bruxelas. Na mesa, estão duas medidas principais. A primeira é a reativação de um pacote de tarifas retaliatórias sobre bens e serviços americanos, no valor de aproximadamente 93 bilhões de euros. Este pacote já havia sido elaborado no ano passado, mas foi suspenso após avanços nas negociações.
A segunda e mais radical opção é o acionamento inédito do "instrumento anti-coerção", popularmente conhecido no bloco como "bazuca comercial". Este mecanismo permitiria à UE limitar severamente o acesso de empresas americanas ao seu mercado interno, incluindo áreas sensíveis como licitações públicas, investimentos diretos e atividades do setor bancário.
Resposta Americana e Cenário de Confronto
Enquanto isso, em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, manteve o tom de confronto. Ele pediu que os europeus levem a sério as palavras de Trump e, sobre as possíveis retaliações, advertiu que "seria imprudente" por parte da UE.
O impasse coloca em risco um dos pilares da economia global. A relação transatlântica, que já superou a marca de 1,5 trilhão de euros em fluxos comerciais e de investimento, agora enfrenta seu teste mais sério em anos, com ambos os lados se armando para um conflito comercial de grandes proporções.