TikTok sela acordo histórico para evitar proibição nos Estados Unidos após anos de disputa
Após quase seis anos de intensas disputas judiciais, pressão política do Congresso americano e tensões diplomáticas entre Washington e Pequim, o TikTok finalmente anunciou um acordo crucial para sua sobrevivência no mercado dos Estados Unidos. A plataforma de vídeos curtos criará uma nova entidade operacional no país, com controle majoritário nas mãos de investidores não chineses, em uma manobra estratégica para afastar o risco iminente de um banimento federal.
Reestruturação acionária transfere mais de 80% para consórcio internacional
Pelo acordo firmado, a controladora chinesa ByteDance reduzirá drasticamente sua participação na operação americana para menos de 20%. A fatia majoritária, superior a 80%, será assumida por um consórcio de peso liderado por três grandes players:
- Oracle, gigante americana de tecnologia e nuvem
- MGX, gestora de investimentos dos Emirados Árabes Unidos
- Silver Lake, importante fundo de private equity global
O grupo ainda conta com a participação de investidores financeiros ligados diretamente ao fundador da Dell Technologies, Michael Dell, reforçando o caráter diversificado e internacional do consórcio controlador.
Contexto legal e político que levou ao acordo
Este arranjo corporativo foi meticulosamente desenhado para atender à lei aprovada pelo Congresso americano em 2024, posteriormente validada pela Suprema Corte dos Estados Unidos. A legislação exigia a separação completa do TikTok de sua controladora chinesa, ByteDance, até o início de 2025, sob pena de banimento total do aplicativo no território nacional.
O prazo apertado chegou a provocar um apagão temporário do serviço no país, criando incerteza entre seus milhões de usuários americanos. A situação foi resolvida temporariamente por decisões do então presidente Donald Trump, que prorrogou o prazo e pressionou por uma solução de mercado em vez da retirada radical do aplicativo.
Mudanças operacionais e políticas de conteúdo
Na prática, o TikTok americano passará por transformações significativas em sua governança:
- A nova companhia será comandada por Adam Presser, ex-chefe de operações do TikTok, que assume a liderança da entidade recém-criada
- O conselho administrativo terá maioria de membros dos Estados Unidos, garantindo controle local sobre decisões estratégicas
- A moderação de conteúdo no país será responsabilidade direta da nova entidade americana, afastando preocupações sobre influência estrangeira
Reação política e perspectivas futuras
Donald Trump, figura central nas negociações, celebrou o acordo em suas redes sociais, classificando os novos controladores como "grandes patriotas" e atribuindo parte de seu bom desempenho entre eleitores jovens na eleição de 2024 à presença do TikTok no cenário digital americano.
Contudo, especialistas em política digital e segurança cibernética alertam que a troca do risco de influência estrangeira pelo risco de interferência política doméstica não elimina completamente as controvérsias que cercam a plataforma. A nova estrutura acionária, embora atenda aos requisitos legais, mantém o TikTok sob escrutínio constante quanto a seu papel no ecossistema de mídia e informação dos Estados Unidos.
Este acordo representa um capítulo crucial na complexa relação entre tecnologia, política internacional e segurança nacional, estabelecendo um precedente importante para outras plataformas digitais com operações transnacionais e expostas a tensões geopolíticas.