Índia e União Europeia selam acordo comercial histórico para diversificar mercados
Nesta terça-feira (27), durante uma cúpula em Nova Déli, Índia e União Europeia estão prestes a assinar um pacto que visa expandir significativamente o comércio bilateral entre as duas potências econômicas. Este tratado, que ainda precisa ser ratificado pelo parlamento europeu, representa um passo crucial para impulsionar as exportações indianas e reduzir a dependência de mercados tradicionais, como os Estados Unidos e a China.
Redução de tarifas e benefícios mútuos
O acordo comercial inclui medidas concretas para facilitar o fluxo de bens e serviços. Fontes próximas às negociações revelaram à agência Reuters que a Índia planeja reduzir drasticamente as tarifas sobre carros importados da União Europeia, passando de 110% para 40%. Esta redução alfandegária deve abrir portas para produtos industriais europeus, especialmente do setor automotivo, em um dos maiores mercados consumidores do mundo.
Por outro lado, a União Europeia, que já mantém tarifas médias relativamente baixas de cerca de 3,8% sobre produtos indianos, busca diversificar sua cadeia de suprimentos e diminuir a dependência da China. Setores com uso intensivo de mão de obra, como têxteis e vestuário, enfrentam tarifas de aproximadamente 10%, mas o pacto promete melhorar o acesso a esses mercados.
Expansão de serviços e produtos agropecuários
Além dos bens industriais, a Índia também busca maior acesso para profissionais e exportação de serviços de Tecnologia da Informação (TI), um setor no qual o país é reconhecido globalmente. Em contrapartida, a produção agropecuária europeia, com destaque para laticínios e derivados do leite, terá oportunidades ampliadas no cenário indiano, beneficiando ambos os lados.
Em entrevista ao Conexão Record News, o pesquisador Lier Ferreira destacou o valor do Produto Interno Bruto (PIB) indiano e enfatizou que "todos os países do mundo buscam reduzir a dependência em relação ao mercado norte-americano", mesmo reconhecendo que este ainda é o principal mercado consumidor global.
Ameaça à hegemonia do dólar e mudanças geopolíticas
Ferreira apontou que esta movimentação não se limita à Índia e União Europeia. "Brasil, Índia, Canadá, União Europeia, todos os países estão buscando diversificar suas parcerias, conquistar novos mercados para reduzir a sua dependência em relação aos Estados Unidos", explicou. Ele ressaltou que essa tendência ameaça cada vez mais a hegemonia do dólar, um elemento central na geopolítica norte-americana.
Este acordo simboliza um esforço coletivo de nações para fortalecer sua autonomia econômica e criar alternativas ao domínio financeiro dos EUA. Com a assinatura deste pacto, espera-se que o comércio indiano, afetado por tarifas norte-americanas, seja alavancado, enquanto a União Europeia avança em sua estratégia de diversificação e resiliência econômica.