Crise no Golfo Pérsico: Normalidade em Petróleo e Gás Pode Levar Mais de Seis Meses
O alívio momentâneo nos preços do petróleo, após o anúncio do envio de tropas e navios americanos ao Golfo Pérsico para desobstruir o Estreito de Ormuz, mostrou-se efêmero. O contrato do barril de petróleo do tipo Brent, que havia caído de um pico de US$ 119,13 para cerca de US$ 107, voltou a subir, sendo negociado a US$ 110 nesta sexta-feira, com alta diária de 1,30% e uma escalada impressionante de 54% no mês e 81,8% em três meses.
Ameaça Histórica à Energia Global
Segundo Fatih Birol, chefe da Agência Internacional de Energia (AIE), a guerra no Irã representa a maior ameaça à energia global da história. Em declarações ao Financial Times, que classificou a situação como "apocalíptica", Birol alertou que a recuperação dos campos de petróleo e gás na região do Golfo, especialmente o campo de South Pars – o maior campo de gás do mundo, dividido entre Irã e Catar –, pode levar mais de seis meses.
As notícias do front de guerra confirmam a escalada do conflito, com Israel atacando Teerã enquanto o Irã lança mais ataques contra países do Golfo. Os ataques de Israel e Estados Unidos a Teerã, que dizimaram a cúpula do regime iraniano, incluindo o líder supremo Aiatolá Khamenei, entram na terceira semana, contrariando as expectativas iniciais do governo Trump, que previa uma campanha de cerca de um mês.
Impacto nos Mercados Financeiros
A possibilidade de um petróleo próximo de US$ 100 por um período prolongado assustou os mercados financeiros em todo o mundo. Os bancos centrais, diante da pressão inflacionária, suspenderam os planos de baixa de juros, com os Estados Unidos podendo até aumentar as taxas, em vez das duas quedas de 0,25% esperadas anteriormente. Isso levou a uma valorização do dólar globalmente.
No cenário atual:
- O euro caía 0,37% frente ao dólar, mas ainda acumulava alta de 1,14% na semana.
- O iene via o dólar avançar 0,82% no dia, com queda de 0,41% na semana.
- O real, pressionado por ações especulativas sobre o preço do diesel, via o dólar subir 1,15%, cotado a R$ 5,28, mas com perda semanal de 0,75%.
Posição do Brasil e a Petrobras
Em meio ao histerismo do mercado, o Brasil apresenta uma situação mais estável. O país é autossuficiente em petróleo e exporta significativamente, com ganhos extras tributados em 12%, mantendo a rentabilidade. A Petrobras atende cerca de 75% da demanda de diesel e GLP a preços mais contidos, e há condições, a curto e médio prazo, de garantir o abastecimento do mercado doméstico.
A longo prazo, a estratégia é intensificar a produção de diesel e GLP nas refinarias, como:
- Refinaria de Paulínia (SP), a maior do país.
- Reduc (RJ).
- Gabriel Passos (MG).
- Refinarias do Sul.
- Abreu e Lima (PE).
O autor critica o plano do governo Bolsonaro de vender 50% do parque de refino, argumentando que, em uma crise como a atual, isso levaria a preços nas alturas, inflação estúpida e desabastecimento. Ele também considera ridículas as manifestações de órgãos de classe que pedem previsibilidade de preços da Petrobras, defendendo que a estatal está agindo com competência e que esses grupos deveriam refletir sobre seu apoio à privatização.



