Will Bank é liquidado pelo BC: correntistas têm contas bloqueadas mas ainda recebem cobranças de cartão
Will Bank liquidado: contas bloqueadas, mas cobranças continuam

Will Bank é liquidado pelo Banco Central: correntistas enfrentam bloqueio de contas e cobranças de cartão

O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial do Will Bank, banco digital controlado pela Will Financeira, do grupo Banco Master. A medida, que já estava em curso com a instituição sob intervenção, paralisa todas as operações da empresa, afetando diretamente milhares de clientes em todo o Brasil.

Contas bloqueadas, mas cobranças persistem

Um dos principais problemas enfrentados pelos correntistas é a contradição entre o bloqueio das contas e a continuidade das cobranças do cartão de crédito. Embora o aplicativo do banco permaneça acessível para consulta de saldos, limites e faturas, operações como transferências, PIX e pagamentos com cartão não estão sendo concluídas.

Na prática, o sistema está "congelado": os valores aparecem na tela, mas não podem ser utilizados pelos clientes, que seguem recebendo faturas em aberto.

Relatos de clientes surpreendidos

Cassandra Mendes, de 29 anos, usuária do banco digital há dois anos, foi pega de surpresa pela notícia da liquidação. Ela relata que tem dinheiro disponível na conta, mas não consegue usá-lo para pagar a fatura do cartão de crédito de janeiro.

"Hoje de manhã consegui pagar a fatura de dezembro. Agora, a de janeiro segue em aberto", conta a correntista, que ao acessar o aplicativo se deparou com um aviso informando sobre a suspensão das operações devido à liquidação determinada pelo Banco Central.

Rayssa Santos, de 26 anos, também enfrenta dificuldades. Desde terça-feira (20), antes mesmo do anúncio oficial, ela não consegue usar o cartão de crédito, mesmo com limite disponível.

"Tem limite, por isso a fatura até está baixa, porque não consigo usar. Tentei fazer compras ontem na Shein, mas não aprovou. Tive que cadastrar outro cartão", relata.

Instabilidades precederam anúncio oficial

Já na noite de terça-feira, usuários começaram a relatar instabilidades no aplicativo do Will Bank nas redes sociais. Segundo o Downdetector, cerca de 500 notificações de erro foram registradas por volta das 20h, com novo pico de reclamações na manhã desta quarta, após a liquidação.

Entre os principais problemas relatados estão:

  • Recusa de compras no cartão de crédito
  • Impossibilidade de realizar transferências via PIX
  • Falhas no internet banking
  • Exibição de limite disponível sem possibilidade de uso

Problemas com Mastercard agravaram situação

Segundo o Banco Central, os problemas do Will Bank com a Mastercard estiveram diretamente ligados à paralisação do processamento dos cartões de crédito. Este fator foi decisivo para o agravamento da situação financeira da instituição e para a decisão de decretar a liquidação extrajudicial.

O banco digital acumulava cerca de R$ 7 bilhões em passivos e mantinha aproximadamente R$ 8 bilhões em transações correntes vinculadas à bandeira Mastercard.

Proteção do FGC e prazos incertos

Com a liquidação, os valores mantidos pelos clientes passam a integrar o processo conduzido por um liquidante nomeado pelo Banco Central, responsável por apurar os saldos e organizar os pagamentos conforme a legislação.

Quem tinha dinheiro em conta ou aplicações elegíveis conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF, considerando o conjunto de depósitos e produtos garantidos na instituição.

Entretanto, o pagamento não é imediato e depende dos trâmites formais da liquidação. O Banco Central não informou um prazo para a liberação dos recursos.

O que muda para os clientes

Com a liquidação extrajudicial:

  1. Contas, cartões e demais serviços deixam de operar normalmente
  2. A instituição é retirada do sistema financeiro
  3. Os clientes passam a figurar como credores no processo
  4. Os pagamentos seguem ordem legal estabelecida

É importante destacar que a liquidação não extingue automaticamente as dívidas dos clientes. Valores já lançados na fatura do cartão de crédito continuam sendo devidos e podem ser cobrados, inclusive com aplicação de juros e eventual negativação em caso de inadimplência.

Até o momento, não há orientação do Banco Central que suspenda essas cobranças, deixando os correntistas em uma situação delicada: sem acesso aos seus recursos, mas ainda responsáveis pelo pagamento de faturas em aberto.

O g1 procurou a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o Fundo Garantidor de Créditos e o Will Bank para comentar as cobranças e os prazos para acesso ao dinheiro, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.