Economista prevê queda da taxa de juros em janeiro, apesar de projeções para março
Queda da taxa de juros pode ocorrer já em janeiro, diz economista

Economista projeta queda da taxa de juros já em janeiro, contrariando previsões do mercado

O economista Roberto Troster apresentou uma perspectiva otimista sobre a política monetária brasileira, sugerindo que a taxa básica de juros pode cair já no mês de janeiro, apesar das projeções majoritárias do mercado financeiro apontarem para uma redução apenas em março. Em entrevista ao Conexão Record News nesta segunda-feira (26), Troster destacou que o cenário econômico atual favorece uma flexibilização mais rápida da Selic.

Contexto do mercado financeiro e comportamento do dólar

A semana iniciou com o dólar apresentando uma cotação em queda, negociado a R$ 5,28, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, manteve-se estável aos 178.812 pontos. O mercado financeiro está especialmente atento às decisões de juros que serão tomadas tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil nesta última semana de janeiro.

No entanto, Troster alertou que as eleições previstas para 2026 em ambos os países dificultam projeções mais precisas sobre o comportamento do dólar ao longo do ano. "É um ano político, em que muitas coisas podem acontecer aqui e nos Estados Unidos, especialmente mudanças na política do Fed. Então é uma questão de esperar para ver", explicou o economista durante a entrevista.

Argumentos para a queda antecipada da taxa de juros

Roberto Troster fundamentou sua previsão com base na trajetória descendente das projeções de inflação, que vêm caindo desde maio do ano passado. Segundo ele, esse movimento já deveria ter motivado o início da redução da taxa de juros pelo Banco Central do Brasil.

"Quase todos os economistas projetam que isso ocorra, mas eu acho que podemos ter uma surpresa. São poucas instituições que falaram que pode cair em janeiro, que não é unânime que vai ser em março", afirmou Troster, referindo-se à expectativa geral de manutenção da Selic em 15% na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 27 e 28 de janeiro.

O economista questionou a lógica de manter um horizonte tão longo para o início do ciclo de cortes, argumentando que "não faz sentido o Banco Central colocar um horizonte tão longo para baixar a taxa de juros".

Perspectivas para o dólar e impacto nas políticas monetárias

Apesar das incertezas políticas, Troster mantém uma visão positiva para a moeda brasileira em 2026, projetando que o dólar deve enfraquecer e o real se fortalecer ao longo do ano. Essa dinâmica, segundo suas análises, contribuiria para uma inflação menor e, consequentemente, para juros mais baixos no país.

O especialista enfatizou que o cenário econômico global e as decisões do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos terão influência significativa nas políticas monetárias brasileiras, especialmente em um ano eleitoral como 2026.

A atenção do mercado financeiro permanece voltada para as próximas decisões do Copom e do Fed, que definirão os rumos das taxas de juros e do câmbio nos próximos meses.