Itaú projeta corte da Selic apenas em março e revisa cenário econômico para 2026
Itaú prevê corte da Selic em março e revisa projeções econômicas

Itaú adia expectativa de corte da Selic para março e revisa cenário econômico

Enquanto o mercado financeiro aguarda ansiosamente as decisões do Banco Central, o Itaú apresentou uma análise que adia o início do ciclo de cortes na taxa Selic. Em seu cenário de janeiro, divulgado recentemente, o banco projeta que o primeiro corte de 0,25% ocorrerá apenas em março, diferindo de outras instituições como o Bradesco, que ainda esperava essa movimentação para janeiro.

Projeções para a taxa Selic e inflação

Atualmente em 15,0% ao ano, a Selic deve cair para 12,75% a.a. em 2026 e 11,75% a.a. em 2027, segundo o Itaú. Essa trajetória mantém o patamar contracionista, mas com menor grau de restrição. Em comparação, o Bradesco previa quedas mais acentuadas, com a taxa chegando a 12% em 2026 e 9,50% em 2027.

Quanto à inflação, o Itaú projeta o IPCA em 4,0% para este ano e também para 2027. O banco destaca que a desaceleração nos preços de bens e serviços será contrabalanceada por altas na alimentação em domicílio, especialmente no ciclo de proteínas. A menor variação acumulada em 12 meses deve ocorrer em julho, atingindo 2,9%.

Cenário externo e contas do país

O Itaú avalia que um cenário externo benigno, com um dólar global mais fraco e postura tolerante do Fed em relação à inflação, ajudará na apreciação de moedas emergentes, incluindo o real. No entanto, o ano eleitoral no Brasil traz incertezas domésticas que devem pressionar o prêmio de risco, principalmente no segundo trimestre.

As projeções para a taxa de câmbio são de R$ 5,50 por dólar em 2026 e R$ 5,70 por dólar em 2027. Em relação às contas externas, o banco não espera piora adicional, mas frisa que a melhora será gradual, com déficit em conta corrente projetado em US$ 70 bilhões em 2026 e US$ 68 bilhões em 2027.

Crescimento do PIB e desafios fiscais

O Itaú revisou a projeção de crescimento do PIB para 1,9% em 2026, acima dos 1,7% anteriores, incorporando revisões altistas da atividade global. Impulsos fiscais e parafiscais, como medidas do BNDES e isenção de IR, devem contribuir significativamente para esse desempenho.

No entanto, o banco alerta para os desafios fiscais em um ano eleitoral. Espera-se um resultado primário de -0,8% do PIB, com risco de execução de despesas acima dos limites estabelecidos. A dívida pública líquida pode alcançar 71% do PIB, dependendo do comportamento da inflação e das taxas de juros.

Comparações e perspectivas

O Itaú tem se mostrado uma das instituições mais cautelosas em relação ao desempenho fiscal do governo. Em abril do ano passado, previu um déficit primário maior do que o observado, e agora mantém um tom pessimista, questionando se o governo eleito sinalizará ajustes necessários para estabilizar a dívida pública.

Essas projeções refletem um cenário econômico complexo, onde fatores globais e domésticos se entrelaçam, definindo os rumos da política monetária e fiscal no Brasil.