Banco Master: FGC paga até R$ 250 mil; valores maiores ficam no fim da fila
FGC paga CDBs do Banco Master; acima de R$ 250 mil espera longa

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deu início, nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, ao processo de pagamento dos investidores que aplicaram em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master. No entanto, a garantia integral vale apenas para aqueles cujos valores, somados aos rendimentos, não ultrapassam o teto de R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira.

Quem recebe primeiro e quem fica na fila

De acordo com dados divulgados pelo próprio FGC, um número expressivo de investidores já buscou seu direito. Até o domingo, 18 de janeiro, 369 mil pessoas haviam iniciado o pedido de reembolso pelo aplicativo da entidade. Desse total, aproximadamente 150 mil concluíram a solicitação e estavam habilitadas a receber a partir do dia 19.

Para esses, a segurança do fundo garante o ressarcimento total. O FGC, um fundo privado mantido pelas instituições financeiras, atua como um seguro para correntistas e investidores em casos de intervenção ou liquidação. Os rendimentos são contabilizados até a data da liquidação do Banco Master, ocorrida em 18 de novembro, quando as aplicações pararam de gerar juros.

O longo caminho dos valores acima da garantia

A situação se torna drasticamente mais complexa para os investidores que tinham aplicações superiores a R$ 250 mil no banco. Essas pessoas não são cobertas integralmente pelo FGC e, por força da Lei de Falências e Recuperação Judicial (11.101/2005), são enquadradas na categoria de credores quirografários.

Isso significa que eles ocupam a última posição na fila de recebimento, sem qualquer tipo de preferência. Conforme a legislação, o banco em processo de liquidação precisa vender todos os seus ativos para quitar primeiro as dívidas trabalhistas, fiscais e com outros credores privilegiados. Somente se sobrar recursos é que a quantia restante será destinada aos credores quirografários.

O pagamento para essa classe segue a lógica do rateio: o valor disponível é dividido igualmente entre todos, independentemente do tamanho da dívida individual ou de quem ajuizou ação primeiro. A lei ainda prevê que, se novos bens forem recuperados ou valores desviados forem encontrados após uma primeira distribuição, um novo rateio deve ser realizado.

Investigações e incertezas prolongam o processo

O cenário para os credores quirografários do Banco Master é ainda mais nebuloso devido às investigações em curso. O banco é alvo de apurações judiciais por suspeitas de fraude, sendo a principal delas a venda de uma carteira de crédito inexistente para o Banco Regional de Brasília (BRB).

A Polícia Federal (PF) ainda apura a dimensão total do prejuízo causado ao BRB. A conclusão e o julgamento dessas investigações são etapas fundamentais para que se possa definir com clareza quais são os ativos e passivos reais do Banco Master, um passo essencial antes de qualquer distribuição de recursos para os credores sem preferência.

Portanto, os investidores com valores acima do teto do FGC devem se preparar para uma espera longa e incerta. A resolução do caso depende não apenas do ritmo da justiça recuperatória, mas também do desfecho das apurações criminais, que podem revelar o verdadeiro estado patrimonial da instituição.