O IBGE divulgou nesta terça-feira (28) o IPCA-15 de abril, que subiu 0,89%, superando o resultado de março, de 0,44%. O indicador, considerado a prévia oficial da inflação, acelerou pressionado por alimentos, combustíveis e despesas com saúde.
Acumulado e comparação
Com o resultado, o índice acumula alta de 2,39% em 2026 e avanço de 4,37% nos últimos 12 meses, acima dos 3,90% registrados no período anterior. O dado também ficou superior ao de abril de 2025, quando o IPCA-15 subiu 0,43%.
Impacto nos juros
Segundo André Matos, CEO da MA7 Negócios, o Banco Central tem pouco espaço para novos cortes na Selic, atualmente em 14,75% ao ano. Ele recomenda que investidores mantenham portfólio concentrado em renda fixa pós-fixada e papéis IPCA+. O mercado deve reagir com cautela e volatilidade, especialmente em ativos de maior risco.
Para André Valério, economista sênior do Banco Inter, a perspectiva de petróleo mais caro manterá a pressão inflacionária. Ele projeta a Selic média mais alta em 2026, com a taxa encerrando o ano em 12,75%. Apesar da inflação elevada, os juros seguem restritivos por período prolongado, desacelerando a demanda.
Setores que mais pressionaram
O grupo Alimentação e bebidas liderou com alta de 1,46%, impulsionado por produtos básicos. Transportes avançou 1,34%, refletindo a disparada dos combustíveis. Juntos, esses segmentos concentraram cerca de 65% da inflação de abril.
Economistas apontam que a combinação de inflação alta e juros restritivos deve continuar afetando a economia nos próximos meses, com possíveis impactos no consumo e no crédito.



