Ibovespa fecha em baixa após recordes, pressionado por Microsoft e juros
Ibovespa recua com pessimismo exterior e juros mantidos

Ibovespa interrompe sequência de recordes com queda de 0,84% nesta quinta-feira

O principal índice da Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, fechou em queda de 0,84% nesta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, estacionando nos 183,1 mil pontos. Essa baixa ocorre após o índice ter renovado seu recorde intradiário na véspera, marcando uma reversão no sentimento do mercado.

Pessimismo internacional derruba otimismo doméstico

O movimento de aversão ao risco no exterior foi o principal fator por trás da queda do Ibovespa. O cenário internacional ficou pessimista após a divulgação dos balanços das big techs e discussões sobre investimentos elevados em Inteligência Artificial, o que tirou o fôlego da alta doméstica observada anteriormente.

Dentre as empresas, a Microsoft (MSFT34) teve o pior desempenho: seu resultado trimestral mostrou uma desaceleração no crescimento da divisão de computação em nuvem. Em resposta, as ações da companhia caíram expressivos 8,19%, impactando negativamente o índice global.

Decisões de política monetária mantêm juros inalterados

Os investidores também digeriram as decisões sobre as políticas monetárias dos Estados Unidos e do Brasil. Na quarta-feira, o Federal Reserve, banco central americano, decidiu manter a taxa básica de juros, que varia de 3,5% a 3,75% ao ano, inalterada.

Paralelamente, o Banco Central do Brasil optou pela mesma medida, mantendo a taxa Selic em 15% ao ano. O tom mais leve no comunicado do BC surpreendeu os analistas e gerou maiores esperanças sobre um possível início de ciclo de corte de juros em março.

O diferencial de juros entre os dois países continua vantajoso para o mercado brasileiro, atraindo fluxo de capital estrangeiro para os ativos locais, embora isso não tenha sido suficiente para evitar a queda do dia.

Bancos lideram perdas no índice

Entre as ações de maior peso no principal índice da B3, os bancos operaram com desempenho negativo, acompanhando a baixa do Ibovespa. O Santander (SANB11) liderou as perdas, com queda de 1,47%, seguido pelo Bradesco (BBDC4), que recuou 1,29%.

Outras instituições financeiras também registraram desvalorizações:

  • Itaú (ITUB4) caiu 0,41%
  • Banco do Brasil (BBAS3) teve desvalorização de 0,39%

Dólar permanece estável frente ao real

Enquanto o Ibovespa recuava, o dólar encerrou a sessão praticamente estável, cotado a 5,19 reais. Essa estabilidade cambial contrasta com a volatilidade observada no mercado acionário, refletindo um cenário misto para os investidores.

Em resumo, a combinação de fatores internacionais, como o fraco desempenho da Microsoft, e as decisões de política monetária doméstica e externa, contribuíram para interromper a sequência de recordes do Ibovespa, marcando um dia de cautela no mercado financeiro brasileiro.