Ibovespa inicia pregão em alta com olhos no Oriente Médio e decisões de juros
O Ibovespa abriu o pregão desta terça-feira, 17 de março de 2026, em território positivo, marcando 182.344 pontos no início das operações. O movimento ocorre em um contexto de atenção dupla dos investidores: a escalada de tensões geopolíticas no Oriente Médio e as aguardadas decisões de política monetária que serão anunciadas tanto pelo Banco Central do Brasil quanto pelo Federal Reserve dos Estados Unidos ao longo desta semana.
Mudança de humor do mercado e cenário doméstico
Segundo análise de João Kepler, CEO da Equity Group, a abertura em alta da bolsa brasileira reflete uma mudança significativa no humor do mercado. "Quando esse ajuste acontece, o impacto vai além dos números do dia e começa a influenciar decisões estratégicas", destacou o especialista, observando que os investidores estão demonstrando disposição para assumir mais riscos mesmo diante de um cenário global ainda desafiador.
No âmbito doméstico, a agenda política também movimenta os mercados. Pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, no Palácio do Planalto. À tarde, está programado encontro com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
Foco na 'superquarta' e desempenho dos bancos
O centro das atenções, no entanto, está voltado para a chamada 'superquarta', quando tanto o Banco Central do Brasil quanto o Federal Reserve dos Estados Unidos divulgarão suas decisões sobre as taxas de juros básicas - movimentos que podem impactar significativamente os fluxos de capital e as estratégias de investimento em todo o mundo.
Entre as principais ações do índice, os bancos operavam em queda no início do pregão:
- Bradesco (BBDC4) recuava 0,63%
- Itaú Unibanco (ITUB4) caía 0,53%
- Santander Brasil (SANB11) registrava baixa de 0,46%
- Banco do Brasil (BBAS3) recuava 0,17%
Cenário internacional: petróleo, inteligência artificial e diplomacia
Nos mercados globais, as bolsas ganharam fôlego na segunda-feira após a queda nos preços do petróleo, em meio a expectativas de normalização do fluxo de embarques no Golfo Pérsico. A situação na região, contudo, permanece instável e volátil.
As operações no campo de gás Shah, nos Emirados Árabes Unidos, continuavam suspensas nesta terça-feira, enquanto um novo ataque provocou incêndio no terminal de exportação de petróleo de Fujairah, um dos principais da região.
Para Bruno Yamashita, Coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, a tese da inteligência artificial voltou a se destacar no mercado, contribuindo para a recuperação dos índices americanos - movimento que coincidiu com a conferência da NVIDIA.
No campo diplomático, aliados rejeitaram o pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para enviar navios de guerra com o objetivo de escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo.
Indicadores internacionais e câmbio
No exterior, os índices futuros de Wall Street operavam em leve alta durante a manhã:
- Dow Jones Industrial Average subia 0,24%
- Nasdaq Composite avançava 0,15%
- S&P 500 registrava alta de 0,10%
No mercado cambial brasileiro, o dólar operava a 5,20 reais às 11h20, mantendo relativa estabilidade diante das incertezas geopolíticas e das expectativas em relação às decisões monetárias que serão anunciadas nos próximos dias.
