Focus Revisa Inflação e Juros para Cima com Impacto da Guerra no Golfo
As idas e vindas do governo Trump nas tarifas comerciais e nos ataques à infraestrutura energética do Irã, adiados por alguns dias, trouxeram alívio aos mercados financeiros. O petróleo Brent caiu mais de 11% nos contratos para maio, cotado a US$ 94,18 por volta das 12h20 (horário de Brasília), enquanto o dólar recuou mais de 0,50% ante as principais moedas. O real liderou as valorizações, com o dólar cotado a R$ 5,22, uma queda de 1,74% após abrir a R$ 5,3154.
Pressão das Petrolíferas e Especulações no Mercado
As hesitações de Trump são atribuídas, em parte, à pressão das grandes companhias petrolíferas. Versões maldosas no mercado sugerem que as pausas nos ataques facilitam ações especulativas de aliados do presidente, que celebram ganhos com os tarifaços. No entanto, o Wall Street Journal aponta outra causa: os ataques com mísseis iranianos estão custando bilhões em receita perdida às petrolíferas. A infraestrutura danificada pode levar anos para voltar a funcionar, mas os altos preços do petróleo e gás ajudam a compensar parte da perda de produção temporariamente.
Nas avaliações das petrolíferas, há clara preferência pela contenção de danos. A parada temporária dos ataques americanos para análise de dados em países como Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Irã trouxe alívio aos mercados. O ritmo frenético dos impactos da guerra nas cotações, com o Brent para junho caindo 10,81% para US$ 95,60 e para dezembro a US$ 80 (-5,80%), deixa previsões rapidamente desatualizadas.
Revisão da Pesquisa Focus e Impactos na Economia
A última pesquisa Focus, encerrada na sexta-feira e divulgada hoje pelo Banco Central, revisou para cima os números da inflação para 2026 e as projeções dos juros Selic até 2027. O mercado financeiro parece torcer pela escalada da inflação, o que freia o cronograma do Comitê de Política Monetária para a baixa da Selic. Antes da guerra, apostas indicavam queda da taxa de 15% para 14,50% em março, mas caiu apenas 0,25%, com reduções adicionais previstas para abril.
A alta da inflação freia a redução dos juros globalmente, mas no Brasil, com a indexação de contratos à inflação passada, uma escalada de juros traz mais lucros para rentistas e especuladores financeiros. Quem detém carteiras de títulos indexados ganha muito quando a inflação escala, como ocorreu nos anos de 1973 a 1975 após o primeiro choque do petróleo.
Enquanto o governo Lula faz esforços para evitar a contaminação maior da inflação importada pela guerra no Golfo, com o Tesouro Nacional realizando uma recompra recorde de mais de R$ 40 bilhões em títulos pós-fixados na semana passada, há manifestações de críticos que se calaram em 2022. Cada ponto a mais na Selic custa R$ 63 bilhões ao Tesouro em 12 meses, enquanto um ponto de baixa economiza o mesmo valor.
Projeções Atualizadas da Inflação e Selic
Pela Focus, a inflação prevista para 2026, que era de 3,91% há quatro semanas antes da guerra, subiu para 4,17% na semana passada, com mediana dos últimos cinco dias úteis chegando a 4,21%. A projeção para março aumentou de 0,33% para 0,45% nos últimos cinco dias, e para abril, o salto foi de 0,39% para 0,46%. Em consequência, a projeção da Selic para abril subiu de 14,00% para 14,25%, com mediana dos últimos cinco dias úteis elevada para 14,50%.
A Selic para dezembro de 2026 foi elevada para 12,50%, o que custaria mais US$ 31,5 bilhões ao Tesouro, com reflexos estendendo-se a 2027, quando a taxa terminal da Selic subiu de 10,50% para 10,75% na mediana das previsões.
Ataques Hackers ao Sistema Financeiro Nacional
Em meio a isso, o sistema financeiro enfrenta desafios de segurança. O BTG Pactual foi alvo de um ataque hacker que desviou R$ 100 milhões no domingo, explorando uma falha no Pix do Sistema Brasileiro de Pagamentos. O banco comunicou o restabelecimento das operações via Pix nesta segunda-feira, após suspender o serviço devido a falhas identificadas. Nenhuma conta de cliente foi acessada, mas cerca de R$ 40 milhões ainda não foram recuperados.
O Banco Central identificou o vazamento às 6h de domingo, mas o BTG demorou para suspender o sistema. Este é um dos maiores ataques hackers ao Sistema Financeiro Nacional, seguindo incidentes similares na Pefisa e no Ministério Público de Goiás em março de 2026. Na Pefisa, irregularidades começaram em agosto de 2025 e duraram até fevereiro de 2026, sendo divulgadas apenas em março deste ano.
O Banco Central emitiu nota sobre o caso da Pefisa, afirmando que não houve exposição de dados sensíveis como senhas ou informações financeiras, apenas dados cadastrais que não permitem movimentação de recursos. Esses eventos destacam vulnerabilidades contínuas no setor financeiro brasileiro.



