Focus reduz projeções de IPCA e Selic após dados de inflação e gasolina
Focus reduz IPCA a 3,9% e Selic a 12% em 2026

Focus do BC reduz expectativas para inflação e juros em 2026

A pesquisa Focus, realizada semanalmente pelo Banco Central e divulgada às segundas-feiras, colhe previsões macroeconômicas de cerca de 1.150 instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisa ao longo de um mês. Um anexo especial inclui respostas dos últimos cinco dias úteis, que frequentemente oferecem avaliações mais precisas devido a mudanças rápidas nos fatos econômicos.

Queda nas projeções de IPCA e Selic

Na última semana, a mediana das previsões para o IPCA de 2026 caiu de 4,00% para 3,99%. No entanto, após a divulgação do IPCA-15 de janeiro, que registrou 0,20% abaixo das expectativas, e a redução de 5,25% no preço da gasolina nas refinarias da Petrobras a partir de 28 de janeiro, a mediana de 52 respostas dos últimos cinco dias úteis reduziu ainda mais a expectativa de inflação anual para 3,90%.

Para janeiro, o mercado inicialmente esperava um IPCA de 0,36%, que foi ajustado para 0,34% e, nos últimos cinco dias, caiu para 0,33%. Em fevereiro, a taxa diminuiu de 0,54% para 0,47%, enquanto em março houve um leve aumento de 0,345% para 0,35%.

Essa redução na inflação projetada levou a um otimismo maior quanto ao espaço para cortes na taxa Selic. Enquanto a mediana de 149 respostas apontava a Selic em 12,25% em dezembro, a mediana de 49 respostas dos últimos cinco dias úteis a reduziu para 12,00%, alinhada à previsão do Bradesco.

Mudanças na diretoria do Banco Central

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do ministério, para uma vaga no Comitê de Política Monetária do BC. Mello seria uma opção para a diretoria de Política Econômica, vaga com o fim do mandato de Diogo Guillen, acumulada por Paulo Pichetti. A saída de Guillen deve trazer um novo tom, já iniciado no comunicado após a reunião do Copom em 18 de janeiro, com detalhes na ata a ser divulgada.

Liquidação da Fictor e medidas regulatórias

O Banco Central anunciou a liquidação da Fictor por dívidas de R$ 4 bilhões, após alertas sobre calotes de R$ 150 milhões na Orbitall. A empresa havia sido apresentada por Daniel Vorcaro como proponente da compra do Banco Master em parceria com o fundo soberano Mubadala, mas o contrato pareceu fictício, com Vorcaro detido pela Polícia Federal ao tentar embarcar para Malta.

Além disso, o BC apertou o cerco contra Provedores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTIs) com a Resolução 547, estabelecendo capital mínimo de R$ 15 milhões e prazo de oito meses para integralização. A medida visa reforçar a segurança após fraudes no Pix em 2025, com diretores nomeados no governo Lula assinando a resolução.

Cenário das apostas online no Brasil

Um levantamento da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda revelou que 79 empresas reguladas de apostas online tiveram receita bruta de R$ 37 bilhões em 2025, com 25,2 milhões de apostadores. Elas reservaram 12% (R$ 4,4 bilhões) para impostos, com alíquotas subindo para 13% este ano e 15% em 2028. No entanto, milhares de sites ilegais operam sem pagar impostos, com a Anatel bloqueando 25.000 em 2025, representando riscos significativos para os apostadores.