Fed mantém juros e interrompe cortes, desafiando pressões de Trump
Fed mantém juros e desafia Trump em decisão técnica

Fed mantém juros e interrompe ciclo de cortes, desafiando pressões de Trump

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, manter as taxas de juros locais no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano, conforme era amplamente esperado pelo mercado financeiro. Com essa medida, a autoridade monetária interrompeu o ciclo de cortes que vinha sendo promovido desde outubro do ano passado, adotando uma postura cautelosa que contraria diretamente a vontade do presidente Donald Trump, um ferrenho defensor de reduções radicais nas taxas.

Contexto econômico e pressões políticas

Apesar da manutenção dos juros no mesmo nível, a taxa básica entre 3,5% e 3,75% representa a menor praticada nos EUA em cerca de três anos. Em paralelo, a inflação americana encerrou o ano de 2025 em 2,7%, segundo dados oficiais, ficando acima da meta de 2% perseguida pelo Fed. O mercado financeiro considera provável que dois cortes de juros ocorram até o final do ano, mas sem perspectivas claras em relação às datas específicas.

Na deliberação anterior do Fed, em dezembro de 2025, a autarquia havia cortado os juros locais em 0,25 ponto percentual, marcando o terceiro corte consecutivo motivado por um enfraquecimento nos dados de emprego. No entanto, a autoridade monetária reforçou que as incertezas sobre as perspectivas econômicas permaneciam elevadas, justificando a atual pausa.

Investigação e independência do banco central

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, tornou-se alvo de uma investigação criminal federal em janeiro de 2026, episódio que o mercado interpretou como mais uma pressão do governo contra a política monetária vigente. O caso envolve um depoimento prestado por Powell ao Senado americano sobre um projeto de reforma da sede do Fed em Washington (DC).

Donald Trump tem prometido que as taxas de juros praticadas no país cairão rapidamente após a substituição de Powell por um indicado da Casa Branca. O mandato de Powell vai até maio, com outras duas deliberações sobre juros programadas para março e abril. Em discurso recente no estado de Iowa, Trump afirmou: “Acho que vamos ter um anúncio (do sucessor de Powell) muito em breve” e “Vocês vão ver os juros caírem muito”. Em falas anteriores, o presidente chegou a xingar Powell de “burro” e acusou-o de trabalhar contra o país ao manter juros elevados.

Impactos no mercado e futuro da política monetária

Parte do mercado financeiro teme a escolha da Casa Branca para o próximo presidente do Fed, com receios de que o indicado de Trump busque atender às demandas políticas em vez de se guiar por análises econômicas técnicas. O futuro da política monetária é uma das frentes em que os Estados Unidos não estão transmitindo muita confiança ao mercado.

O dólar tem perdido valor globalmente neste início de ano, com uma desvalorização de 5,5% em relação ao real em menos de um mês. Na tarde desta quarta-feira, a moeda americana estava cotada em praticamente 5,20 reais, o menor valor em cerca de dois anos, refletindo as incertezas em torno das decisões do Fed e das pressões políticas.

Essa situação acende um debate intenso sobre a independência do banco central americano, questionando se as decisões monetárias devem seguir critérios técnicos ou atender a interesses políticos. A manutenção dos juros pelo Fed, apesar das pressões de Trump, destaca a complexidade do cenário econômico atual e os desafios enfrentados pelas autoridades monetárias em equilibrar inflação, crescimento e estabilidade financeira.