Dólar retoma patamar pré-guerra e Bolsa sobe com expectativa de acordo EUA-Irã
O mercado financeiro brasileiro apresentou movimentos positivos nesta quarta-feira, 1º de abril de 2026, impulsionado por sinais de que os Estados Unidos e o Irã podem avançar rumo a um acordo diplomático que ponha fim ao conflito no Oriente Médio. O cenário de maior apetite ao risco global reduziu temores sobre energia, inflação e fluxos financeiros internacionais, refletindo-se nas principais cotações.
Queda expressiva do dólar comercial
O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,157, registrando uma queda significativa de R$ 0,022, o que representa uma desvalorização de 0,43%. Durante a sessão, a moeda americana chegou a encostar em R$ 5,17 pela manhã, mas acelerou sua queda ao longo da tarde, atingindo R$ 5,14 por volta das 14 horas.
Importante destacar que a cotação atual retornou a níveis semelhantes aos observados na última semana de fevereiro, antes da escalada militar no Oriente Médio. No acumulado da semana, a divisa apresenta uma queda de 1,42%, enquanto no ano a desvalorização chega a expressivos 6,06%.
Declarações de Trump alimentam otimismo
O movimento foi reforçado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que o país deve encerrar a guerra contra o Irã em breve. Ele admitiu a possibilidade de apenas ataques pontuais se necessário, alimentando expectativas de um cessar-fogo iminente. Embora o governo iraniano tenha negado oficialmente qualquer solicitação nesse sentido, as falas foram suficientes para aquecer o mercado.
No cenário internacional, o dólar também operou em baixa. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuava no fim da tarde, refletindo ganhos de moedas emergentes como o real brasileiro, o peso chileno e o peso mexicano.
Bolsa de valores em leve alta
O mercado de ações agiu com mais moderação, mas ainda assim registrou valorização. O índice Ibovespa, da B3, fechou a sessão aos 187.953 pontos, com uma alta de 0,26%. A valorização foi puxada principalmente por ações do setor financeiro e por empresas mais sensíveis à atividade doméstica e aos juros.
Esse ambiente é visto como mais favorável a cortes adicionais da Taxa Selic, os juros básicos da economia brasileira, caso o cenário externo continue apresentando menos turbulências.
Queda consecutiva nos preços do petróleo
Pelo segundo dia seguido, o petróleo fechou em queda, refletindo a aposta de que o conflito possa caminhar para uma solução diplomática. A redução dos riscos de interrupção da oferta, especialmente no estratégico Estreito de Ormuz, exerceu pressão sobre as cotações.
O contrato do WTI para maio cedeu 1,24%, encerrando a US$ 100,12 por barril. Já o Brent para junho, referência para o mercado brasileiro, apresentou queda mais acentuada de 2,70%, fechando a US$ 101,16. Durante o pregão, o Brent chegou a ser negociado abaixo da marca psicológica de US$ 100.
Apesar do alívio recente, os preços do petróleo continuam elevados e permanecem sensíveis a novos desdobramentos políticos e militares na região. Dados de estoques nos Estados Unidos ajudaram a conter perdas mais acentuadas, mas o mercado segue atento ao pronunciamento de Trump, previsto para a noite, e a qualquer sinal concreto sobre a normalização das rotas de transporte no Oriente Médio.



