Dólar e Bolsa em Foco: Entenda os Fatores que Movimentam o Mercado
Dólar e Bolsa: Fatores que Movimentam o Mercado

Dólar e Bolsa em Foco: Entenda os Fatores que Movimentam o Mercado

O dólar inicia a sessão desta terça-feira, 27 de fevereiro, com os olhos voltados para o cenário interno e externo, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h. O mercado financeiro começa a semana atento às decisões de política monetária e aos dados de inflação, que podem definir os rumos dos investimentos nos próximos dias.

Cenário Interno: IPCA-15 e Reunião do Copom

No Brasil, o destaque da agenda é o IPCA-15 de janeiro, divulgado nesta manhã pelo IBGE, em paralelo ao início da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom. A expectativa do mercado é de manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, refletindo uma postura cautelosa do BC diante do cenário inflacionário.

A projeção para o IPCA-15 é de alta de 0,22% no mês e um avanço de 4,52% no acumulado de 12 meses, reforçando o monitoramento do ritmo da inflação pelas autoridades monetárias. Esse dado é crucial para avaliar a eficácia das políticas adotadas e antecipar possíveis ajustes nas taxas de juros.

Cenário Externo: Fed e Tensões Políticas

Nos Estados Unidos, o banco central também inicia hoje sua reunião de política monetária, com os investidores acompanhando a divulgação do índice de confiança do consumidor. O mercado projeta a manutenção dos juros na faixa entre 3,5% e 3,75%, mas as atenções se voltam para rumores sobre a escolha do próximo presidente do Federal Reserve.

Especulações indicam que Donald Trump pode anunciar o sucessor de Jerome Powell ainda nesta semana, gerando apreensão no mercado. Há receio de que o novo presidente do Fed sofra influência política para acelerar cortes de juros, o que colocaria em xeque a autonomia da autoridade monetária e poderia impactar a estabilidade econômica global.

Além disso, volta ao radar a chance de uma nova paralisação do governo dos EUA, diante da resistência de democratas em aprovar o Orçamento sem mudanças na área de segurança, após o assassinato de Alex Pretti por agentes federais. Essa instabilidade política adiciona um elemento de incerteza aos mercados financeiros.

Tensões Geopolíticas: Acordo China-Canadá e Ameaças de Trump

As tensões geopolíticas também ocupam espaço no noticiário econômico. O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou aplicar tarifas de 100% sobre produtos importados do Canadá caso o país feche um acordo comercial com a China. Na semana passada, os dois países anunciaram uma nova parceria estratégica, durante a visita do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, a Pequim.

O acordo prevê que a China reduza tarifas sobre a canola canadense e que o Canadá permita a entrada de quase 50 mil carros elétricos chineses com tarifa de 6,1%, bem abaixo dos 100% atualmente aplicados. Em resposta, Trump afirmou que se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos.

O Ministério das Relações Exteriores da China respondeu que os acordos comerciais e econômicos com o Canadá não têm como alvo nenhum terceiro país, enfatizando a importância da cooperação e do ganha-ganha nas relações internacionais.

Ameaças com Força Militar e Situação na Venezuela

Outro ponto de atenção é a nova ameaça de Trump aos países do Hemisfério Ocidental que não cooperarem com seus objetivos de combate ao narcotráfico, parte da nova Estratégia Nacional de Defesa dos EUA. O documento deixa a porta aberta para ações militares onde e quando julgar que seus interesses não estão sendo atendidos, citando a operação em Caracas como exemplo.

Nesse contexto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com Donald Trump por telefone nesta segunda-feira, tratando sobre a situação na Venezuela e combinando uma visita do petista a Washington nos próximos meses. Lula ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região, em meio a declarações públicas condenando a ação militar no país vizinho.

Agenda Econômica: Boletim Focus e Bolsas Globais

No âmbito econômico, o boletim Focus divulgado pelo Banco Central mostra que os economistas do mercado financeiro reduziram a projeção da inflação para 2026, de 4,02% para 4%. A expectativa é de que a Selic continue em trajetória de queda, com estimativas de redução para 12,25% ao final de 2026 e 10,50% em 2027. O crescimento do PIB em 2026 se mantém em 1,8%, e a cotação do dólar deve encerrar o ano em R$ 5,51.

Nas bolsas globais, os três principais índices de Wall Street encerraram em alta, com investidores aguardando resultados corporativos e a decisão de juros do Fed. Na Europa, a maioria dos mercados fechou em alta, impulsionada pelo setor financeiro, enquanto na Ásia as bolsas ficaram praticamente estáveis, com equilíbrio entre ganhos e perdas.

Em resumo, o mercado financeiro vive um momento de alta sensibilidade, com fatores internos e externos se entrelaçando para definir os rumos do dólar e das bolsas. A atenção dos investidores permanece focada em indicadores econômicos, decisões de política monetária e desenvolvimentos geopolíticos que podem influenciar a volatilidade nos próximos dias.